Rio Grande do Norte, 06 de janeiro de 2009

Mal-acostumados

por Diógenes Dantas

Mal-acostumados

Os políticos estão com ar de loucos. Apesar das restrições nas regras eleitorais, não há como baixar os custos da campanha. Também pudera, né! Os cabos eleitorais ou chefes políticos estão pedindo como quem pede a Deus. É tudo por dinheiro, minha gente!

A pedida é alta. Em média, uns 30 a 50 mil reais. Quando o cara vê que o político é estribado, aumenta logo para 100 mil. Há quem peça um bocadinho mais. E não tem essa de pedir desconto. É pegar ou largar. Se o candidato não tiver a grana, tchau. A liderança segue em frente e vai baixar em outra freguesia.

É assim que a coisa vem acontecendo, longe dos olhos da sociedade, dos órgãos fiscalizadores, como o Ministério Público, e da justiça. Os candidatos reclamam muito, mas não fazem nada. É até compreensível que eles não façam mesmo. Estão em campanha e não querem se indispor com ninguém. Mas deveriam botar a boca no trombone.

Por conta do mensalão ou caixa dois, como queiram, o Tribunal Superior Eleitoral baixou uma série de resoluções para reduzir o custo das campanhas, principalmente, no que diz respeito à propaganda eleitoral, sempre cara, dispendiosa, exagerada e passível a irregularidades no seu financiamento. Geralmente, a turma do marketing é paga “por fora”. Esperava-se que, com a legislação mais rígida, o gasto ia cair. Ledo engano.

Sem outdoor, camisetas e bonés para distribuir, sem os showmícios, cresceu a necessidade de, digamos assim, “molhar a mão” das lideranças para motivar e garantir o voto do eleitor. Ou seja, se correr o bicho pega, se ficar, o bicho come.

Tem gente que gasta uma fortuna para se eleger. Boa parte não tira um centavo do bolso. Quem paga a conta é você, cidadão. De alguma forma, é você. Esse círculo vicioso precisa acabar. A reforma política, tão falada nos dias de hoje, se mostra mais urgente do que nunca. Quem sabe a gente não alcança um financiamento público de campanha?

Sem remédio
Joanilson de Paula Rego, candidato ao Senado pelo PTC, me dizia ontem que uma senhora lhe pediu um remédio. Em troca lhe daria o voto em outubro. O advogado negou o remédio e sugeriu que a mulher procurasse um dono de farmácia. “Eu lá tenho remédio para dar alguém, minha senhora!?”, disse Joanilson.

Sem debate
A TV Assembléia cancelou os dois debates que faria com os candidatos ao governo e ao Senado. De acordo com a legislação, o programa teria de ser apresentado com, no mínimo, três postulantes. No caso do governo, Wilma de Faria e Garibaldi Filho comunicaram que a prioridade é a caça aos votos e que a agenda está apertada. No do Senado, Rosalba Ciarlini mandou dizer que não poderia comparecer e Fernando Bezerra ficou de analisar.

Sem debate 2
Diante do desinteresse dos candidatos, a direção da TV Assembléia resolveu cancelar os programas. O do governo seria realizado no dia 5 de setembro. O debate com os senadores estava marcado para o dia 12 de setembro.

Dois pesos, duas medidas
José Agripino subiu à tribuna do Senado e criticou duramente o presidente Lula por ter faltado ao debate da TV Bandeirantes, na última segunda-feira. O pefelista parecia não saber que os seus candidatos no RN anunciaram que não iriam participar do debate da TV Assembléia.

Rosalba e o tamborete
Rosalba Ciarlini foi cruel com Geraldo Melo no último final de semana, em Mossoró. Num dos locais da cidade, a ex-prefeita chegou a pedir um tamborete para que pudesse subir em cima e discursar aos eleitores. Quando foi atendida, Rosalba saiu com essa:
- Não, eu não quero mais, não. Esse tamborete está com as pernas quebradas.
Algumas pessoas acharam que a candidata foi, no mínimo, indelicada com o adversário.

Irmão coragem
José Dias está fulo da vida ontem na Assembléia Legislativa. Na saída do plenário, ele foi abordado por alguns cooperados da Credinorte que reagiram às críticas do parlamentar ao convênio do Governo Federal com a cooperativa, via Prefeitura de São Gonçalo do Amarante. O Ministério Público Federal pede a devolução de R$ 44 milhões e José Dias assina embaixo.

Irmão coragem 2
Admoestado pelos cooperados, José Dias rebateu dizendo que passou da idade de sentir medo por conta de suas opiniões. Segundo ele, o convênio com a Credinorte é irregular e quem diz isso é o Ministério Público que tem a função de fiscalizar o destino das verbas públicas. O deputado do PMDB disse que não vai se intimidar com os que assessores disfarçados de “cooperados”. 

Revisão das contas
A enfermeira Simone Dutra, candidato ao Senado pelo PSTU, defende a revisão da dívida pública do país para a retomada do desenvolvimento econômico. Sem isso, diz ela, não dá para discutir as ações nas áreas de saúde, educação e de segurança. Simone, cujo partido saiu de uma costela do PT, considera que o presidente Lula é um traidor por ter antecipado o pagamento da dívida com o FMI


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