Rio Grande do Norte, 21 de novembro de 2008

Podres poderes

por Diógenes Dantas

Podres poderes

Por mais que os candidatos digam que o eleitor só quer saber de proposta, uma coisa não entra na cabeça de muita gente: por que não há denúncia no horário eleitoral? Geralmente, esse tipo de coisa surge na propaganda do rádio e da TV. Ainda mais num pleito acirrado como esse nosso. Mas, não. Tanto Wilma como Garibaldi, para ficarmos nos candidatos com mais chances de eleição, só falam de suas propostas. Quando muito, comparam seus governos com os do adversário. 

Olha, ninguém me tira da cabeça que há algum acerto tácito para evitar ataques. Não digo que Wilma mandou alguém conversar com outro alguém de Garibaldi para se acertarem. Não. Eu acho que eles deixaram alguma ameaça no ar. E pronto. 

Lembram do início do Guia Eleitoral? Num encontro com prefeitos de sua coligação, Wilma escorregou e soltou a língua, insinuando que o desvio do leite foi bem maior dos que os R$ 9 milhões tão falados e divulgados até numa CPI. O que fez Garibaldi? Em vez de soltar os cachorros em cima dela, o candidato do PMDB foi para a TV, com uma cara de vítima, lembrar a Wilma que ela tinha alguns esqueletos no armário e que, se fosse o caso, seriam tratados na campanha. Recado curto e grosso. E para um bom entendedor, meia palavra basta. Depois disso ninguém viu mais nada de escândalo, de denúncia. E olha que há o que contar ou lembrar tanto de um lado como do outro. 

Antes da campanha, a oposição só falava no Foliaduto, o escândalo das bandas contratadas pela Fundação José Augusto, em que dois personagens muito próximos da governadora caíram em desgraça, Ítalo Gurgel e Carlos Faria. Os oposicionistas também falavam no Ouro Negro, nos gastos exorbitantes com a publicidade oficial, nas travessuras do Capitão Meriva e assemelhados. 

Já Wilma de Faria fazia questão de lembrar os escândalos da era Garibaldi como o desvio da merenda escolar, do programa do leite, de Gusson, da venda da Cosern, entre outros. Agora, nada. 

Dá ou não dá para desconfiar? Acho que eles chegaram à conclusão de que tinham mais a perder do que ganhar. Nesse aspecto, discordo um pouco. Em se tratando de escândalo, Wilma tem mais a perder. Os problemas dela nessa área são mais recentes, estão mais fresquinhos na memória da população. 

Já os números do governo Garibaldi, suas obras, estão mais distantes na lembrança do eleitor. Se houve acerto ou não, a verdade é que a campanha permanece morna. E não tem essa de que o eleitor só precisa saber das propostas. Antes de votar, é preciso saber também dos podres do poder.


Contrariedade

O prefeito de Cruzeta, José Saly (PMDB), ficou na bronca com o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB). Durante comício na cidade, o peemedebista criticou duramente o governo de Wilma de Faria. Nada de extraordinário. Mas Henrique se esqueceu que Saly apóia Wilma e Fernando Bezerra. Meio constrangido, meio contrariado, o prefeito desceu do palanque, deixando Henrique falando sozinho.



Chá de sumiço

Desde que foi citado no relatório do Ministério Público encaminahdo à Justiça, Carlos Faria, ex-chefe da Casa Civil do Governo Wilma, tomou chá de sumiço. Fala-se que ele está exilado no Rio de Janeiro, longe dos holofotes da imprensa, para não atrapalhar a campanha da irmã à reeleição. Carlos Faria não sabe nem se vem votar, comenta uma pessoa ligada a Wilma. No momento, a turma do governo quer Carlos Faria distante de tudo e de todos.


Presidente, eu disse a Wilma que ela parece um foguetão. Se eu não seguro a mão dela, ela sobe e me deixa para trás.
Fernando Bezerra, em comício com Lula, comentando o crescimento de Wilma nas pesquisas. 

Vai voar borboleta!

Paulo Davim (PV) conseguiu liminar na justiça para ter o mesmo tempo no Guia Eleitoral. Micarla tem cerca de um minuto e o deputado apenas 15 segundos. Se a coligação do PV não respeitar a decisão poderá pagar multa de R$ 20 mil por dia. Vixe!

Grampo no TSE

Que coisa, hein! Grampearam até o telefone do ministro Marco Aurélio de Mello, presidente do TSE. Não só o dele. Também do vice, Cesar Peluso. Marco Aurélio ficou uma arara e hoje dizia que iria levar o caso à Ellen Gacie, presidente do STF.


Paredão

Renato Machado, no Bom Dia, foi pernóstico ao corrigir a pronúncia da candidata do PSOL à Presidência da República, Heloísa Helena, que citava Paul Joseph Goebbels, ministro da propanda de Hitler. Foi podre. A entrevista foi bastante tumultuada, deixando a candidata irritadíssima, principalmente, ao falar sobre o programa do PSOL.

Varredura semanal

Por conta do grampo, o TSE decidiu fazer varreduras semanais nos telefones dos ministros até o final do segundo turno. Até o atual episódio, o trabalho da empresa contratada para varrer os telefones era realiado uma vez por mês. "Se estão grampeando o telefone de um ministro, imagine o que não estão fazendo com o cidadão", comentou Marco Aurélio de Mello.


Doutor Viveiros

Augusto Carlos Viveiros fez a caveira de Geraldo Melo hoje no comitê nacional de campanha do presidenciável Geraldo Alckmin, em Brasília.

O ex-deputado do PFL ficou danado de raiva com Melo depois de ler a entrevista do líder tucano no Diário de Natal.

Geraldo Melo insinuou que o PFL está recebendo recursos da campanha do presidenciável e está fazendo de conta que faz a campanha de Alckmin.

Viveiros disse lá em Brasília que é Geraldo Melo que não faz nada por Alckmin. "Nem um adesivo ele coloca no carro dele", disse o pefelista.

Augusto Carlos Viveiros, que não tem papa na língua, disse que vai esperar o fim da campanha para responder a Geraldo à altura. "Não devo prestar contas a Geraldo, só ao comitê nacional da campanha", disse Viveiros.
Saiu a Consult desta semana. Para o governo, Wilma lidera com 43%. Garibaldi vem em segundo com 42,72%. Os nanicos não pontuaram. Os indecisos são 6,78% e os brancos ou nulos somaram 6,50%.

Já Fernando Bezerra continua liderando para o Senado com 31,83% das intenções de voto. Rosalba está colada nele com 30,11%. Geraldo Melo aparece com 11,06% das preferências.
Na disputa para o Senado, a Consult apresenta 16,28% de indecisos e 10,22% de brancos ou nulos.
Na da semana passada, a Consult ainda deu Garibaldi Filho na liderança com dois pontos percentuais de vantagem. Em meio a pesquisas que já davam Wilma na dianteira, a pesquisa acabou sendo descartada pelo marketing governista. Por falar nele, fala-se que a turma cruzou os braços. Foi sábado. Será?


Versão para impressão   Enviar por e-mail


Outras colunas

26/09 - Saco cheio

mais...