Luiz Almir
Quinta-feira, 24 de agosto de 2006
DD – O que é que o deputado achou da pesquisa do IBOPE?
Luiz Almir – Eu acho que tem pesquisas para todos os gostos. Há um mercado de pesquisas quase que diário. Obviamente que essas pesquisas não são gratuitas, não existe pesquisa de caridade, alguém paga por elas. Até hoje, com meus 54 anos, nunca encomendei uma pesquisa, porque como eu ando muito na rua e converso muito com o povo, eu mesmo vou pesquisando. Eu sei quem me abraça, quem me beija, quem me empurra, quem gosta de mim e quem não gosta, porque eu vou pra rua. Mas essas pesquisas tem que ser acreditadas. Pra quem ta na frente, cuidado para não descer. Os que estão abaixo, correr para recuperar. Agora tem umas coisas que eu não entendo. Como eu não sou marqueteiro, não entendo muito disso, segunda-feira a pesquisa anterior, a da Consult, dava 3,75. Aí de repente, em dois dias, a outra pesquisa já dá 8. Nem Lula com o carisma do mundo todinho que tem , cresce 6 pontos em dois dias. Depois, pro senado, Rosalba segunda-feira tinha 20, agora já tem 29. Geraldo que tinha 24, empatado com Fernando Bezerra, já ta com 20. Quer dizer, é uma coisa que não dá pra você entender. Eu acho que há uma diferença pequena entre Garibaldi e Wilma. Quando eu me reaproximei da Governadora Wilma em função da Unidade Popular ter sido extinta pelo próprio PMDB, ela tinha 13. E eu acho que essa pesquisa entre 3,75 e 4% talvez seja a confiável. Agora isso é a minha interpretação, talvez nem seja. Independente de pesquisa eu estou buscando a reeleição porta a porta, bairro a bairro, cidade a cidade, fazendo o que eu posso. Ontem fiz quatro bairros num dia só.
DD - E os antigos aliados?
Luiz Almir - Não tenho nenhum problema de ordem pessoal com o Senador Garibaldi, nem com Henrique a quem eu quero muito bem. Mas nós fomos expulsos, fomos postos para fora, fomos trocados, porque o PFL só vinha se desse senado, desse vice, desse tudo, e Garibaldi avaliou que o PFL somaria mais que o PMDB. O PFL não tem culpa nenhuma porque eu tenho um apreço um carinho e uma admiração muito grande por José Agripino, e ele foi buscar o dele. Garibaldi foi quem, na matemática política dele, avaliou que naquele momento valia a pena quebrar um compromisso que ele tanto pregou. Eu tenho gravado Garibaldi dizendo “em 2006, vamos tentar o Governo do Estado e o meu senador, o senador do PMDB, é Geraldo Melo”. E depois ele disse que já não era mais. Ele achou que só ganharia com o PFL, tirando a gente fora. Já que fomos postos pra fora, o PSDB liberou para cada um apoiar quem achar que deve apoiar. Geraldo disse “eu vou cuidar da minha candidatura pro senado”, como cada um tem um temperamento, Wilma disse “Luiz Almir eu preciso que você me ajude”. Eu disse a ela que não queria um ASG no Estado, mas quero por exemplo o CRI Centro de Reabilitação Infantil, criado no governo de Geraldo Melo, uma das coisas mais importantes criadas no Brasil. Eu quero de volta, porque eu tenho um filho especial e a novela páginas da vida está mostrando também como é importante dar o tratamento para essas crianças. A Zona Norte precisa de um CRI, e eu disse a Wilma. Eu a apoio, mas eu quero também as passarelas para diminuir o engarrafamento, uma maternidade no Pajuçara, essa ponte que está chegando agora, o shopping da Zona Norte que também já chegou. O mundo empresarial já está começando a ver que a Zona Norte dá lucro. Então nós precisamos até fazer um plano diretor para a Zona Norte para que a gente possa construir condomínios residenciais, porque com esse aeroporto de São Gonçalo, com essa ponte que Wilma tá fazendo, a mais bonita do Nordeste, com o shopping que tá chegando, eu soube também que o Extra está procurando terreno. A Zona Norte está finalmente mostrando seu potencial e eu to brigando por essas coisas. Então são essas coisas que eu quero da Governadora. Ela ontem disse no programa dela que ia abrir as escolas nos finais de semana. Isso foi um projeto que eu apresentei na Assembléia, copiando o Governo de São Paulo, levei à Wilma e ela como professora entendeu o grande alcance do projeto. Ela achou uma bela iniciativa e disse no programa eleitoral ontem, que vai implantar no governo dela. Assim como a ponte Macau-Ilha de Santana, que é um grande desenvolvimento para aquela região da Costa Branca. Pra mim a prioridade é servir ao Rio Grande do Norte, se não for Wilma eu levo pra Garibaldi estando com ele ou não. Mas eu acredito que com a nossa força Wilma já está crescendo muito e nesses 15 dias ela vira esse jogo.
DD – Você está tendo que explicar muito essa sua aproximação com a Governadora Wilma na campanha?
Luiz Almir – Eu tenho feito até muita questão de explicar isso nas caminhadas. As pessoas perguntam se Luiz Almir deixou Garibaldi, e eu digo que não. Garibaldi foi quem me deixou, eu fui deixado por Garibaldi. Essa semana eu passei no Nova Republica e tinha um casal abraçado e a mulher me disse assim “você deixou Garibaldi, eu acho que não vou votar em você não”. Aí eu disse esse rapaz que está com você, se ele lhe deixar, você vai morrer? Ela me respondeu “não, eu mato ele de cabo de vassoura”. E eu disse então você quer que eu mate Garibaldi de cabo de vassoura? Então quando Garibaldi me deixou eu fiquei só. Eu não tinha o plano A e B, só tinha o plano A que era a Unidade Popular. Quando Garibaldi nos deixou fora, e o PSDB liberou cada um para apoiar quem quiser, eu não tinha quem quiser. Eu tinha Garibaldi que me botou pra fora, e Wilma que tava me chamando para se recompor, porque eu fui amigo dela muitos anos. Eu só passei esses anos de governo fazendo oposição a ela porque eu tinha um programa da Unidade Popular que Garibaldi acabou.
DD – Então partiu dela?
Luiz Almir – Sim. Já vinha Cláudio Porpino, Raimundo Fernandes, Vivaldo Costa, dizendo olha seu lugar é aqui. Agora eu não sou oportunista. Se eu fosse oportunista eu tinha ido pro Governo Wilma quando ela ganhou e tinha exigido secretaria que eu fui o mais votado da história de Natal sem ter um prefeito me apoiando. Mas eu não fui, só fui agora que me botaram pra fora. Eu não vou mentir para o eleitor, eu não tenho esse comportamento e não posso ser falso. E não posso chegar e dizer, olhe ele me mandou embora mas eu adoro tanto Garibaldi, porque aí fica aquele deputado cururu, ele chuta e eu volto, ele chuta de novo e eu volto. Não, eu não vou meu amigo. Ele me botou pra fora, então pronto. Quando eu fui dançar com Wilma no baile em Caicó, eu disse Garibaldi, não espere uma agressão de mim. Eu fiquei muito triste com o que você Henrique e o PMDB fizeram, eu estou fazendo psicanálise. Eu adoeci com o que vocês fizeram comigo, porque eu não esperava. Então eu fiquei só e optei por apoiar Wilma que precisa do meu apoio. E eu preciso de CRI na Zona Norte, preciso de passarela, preciso saneamento. Não vou mais ficar fazendo oposição, porque o que é que ganhei com quatro anos de oposição? Eu reuni mais de 200 lideranças amigas de Luiz Almir e perguntei: ficamos sozinhos ou vamos tomar posição? E o meu grupo disse, não o senhor nunca foi homem de ficar só vamos apoiar a reeleição de Wilma.
DD – E que história é essa de que nas movimentações onde você está o prefeito chega e dá meia volta, não participa dos eventos?
Luiz Almir – Olhe eu não sei, eu nunca vi o prefeito dar meia volta. Nunca prestei atenção a isso. Ele faz o trabalho dele como prefeito de Natal, ele tem muita coisa aí a fazer. Vi umas notícias agora que ele vai construir o “Machadinho” da Zona Norte, que é um desejo da população, tomara que faça e Wilma ta incentivando. Então tudo que eu preciso para Natal, eu vou atrás de Wilma, porque eu não tenho nenhuma diálogo com o prefeito. Eu respeito ele no canto dele e eu no meu. Quando eu encontro com Wilma nas movimentações ele não está. Não sei se é coincidência ou é porque ele sai. Agora, se ele vai embora quando me vê, é um direito dele e eu acho até bom. Assim é melhor. Eu estou apoiando Wilma, e não o prefeito porque essa eleição não é municipal.
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