Rio Grande do Norte, 21 de novembro de 2008

Wober Júnior

DD – Eu começo logo falando de pesquisas porque é só o que se comenta nos bastidores políticos. Existem pesquisas dando uma diferença maior para o candidato Garibaldi Alves Filho e outras dando uma diferença menor. Com quem está a verdade?

Wober – Olha Diógenes, eu primeiro quero fazer uma análise sobre essa questão da pesquisa no Brasil. A partir de determinado ponto da campanha, o que se passa a discutir é a pesquisa, quem tá na frente e quem está atrás. Os problemas do Estado e do país são relevados a um plano extremamente secundário. 


DD – E ontem, a gente pôde verificar isso no encontro pelo desenvolvimento do Rio Grande do Norte com os empresários. Muita gente saiu frustrada porque os dois candidatos principais não apresentaram propostas.

Wober – Fizeram avaliação do seu próprio governo não foi? Então ficam discutindo se Lula vai ganhar no primeiro ou no segundo turno, e propostas de governo nada, nem se fala. Aqui no RN a mesma coisa. Em todo lugar que você chega o povo só fala em quem tá na frente na pesquisa. E tem mais uma coisa. Um instituto diz uma coisa, outro diz outra. Eu acho que nós devemos acreditar em tudo que é pesquisa. Acreditar em todas, ou então não acreditar em nenhuma. A melhor pesquisa é a do dia 1° de outubro e aí nós vamos ver. Agora eu acho que o nosso lado, o lado da Governadora Wilma, deve intensificar o trabalho no interior do Estado. Porque o papel que ela devia fazer nessa campanha que era reverter o quadro aqui em Natal, ela já fez. O nosso pessoal deve se mobilizar para fazer esse trabalho no interior do Estado e conta com o apoio da governadora. Esse o caminho que tem que fazer independente de pesquisa. Todas as pesquisas mostram uma vitória de Wilma em Natal, mas dão uma derrota em determinadas regiões do interior do Estado. 


DD – Quais são as regiões mais negativas para o seu sistema político?

Wober – Eu não me debrucei sobre nenhuma pesquisa para afirmar com certeza. Mas o comentário é que no Médio Oeste e em Mossoró a situação não é boa para a governadora. Mas em outros lugares ela está muito bem, a governadora está ganhando em Caicó, tá ganhando em Caraúbas, tá empatando em Apodi, tá ganhando em Pau dos Ferros, tá ganhando em São Gonçalo, tá ganhando em Natal. Eu não entendo como é essa pesquisa. Agora o que a gente tem que fazer é trabalhar, e trabalhar muito. 



DD – Para o Governo do Estado, o PPS está apoiando a Governadora Wilma, mas para a presidência está apoiando Geraldo Alckmin. Já dá para jogar a toalha a esta altura do campeonato?

Wober – É muito difícil a realização de um segundo turno. Eu noto que a vitória de Lula está se consolidando. E aí, diferente do que acontece no Rio Grande do Norte, as pesquisas mostram Lula sempre crescente. Tem um analista de pesquisas, o Antonio Lavareda, que diz que Lula tem que consolidar uma vitória, com uma maioria sobre os outros candidatos da ordem de 10%. E isso ele já está bem próximo em algumas pesquisas. O analista diz que isso garante a vitória no primeiro turno, tendo em vista que Lula tem uma penetração muito grande junto à população mais carente, e é nessa camada da população que se registra o maior numero de abstenção. Se ele não consolidar essa maioria de 10% corre o risco de haver segundo turno. A única possibilidade é essa. 



DD – Semana passada o senhor fez um duro pronunciamento na Assembléia Legislativa sobre insinuações de que o senhor estaria envolvido nesse esquema de superfaturamento das carteiras escolares. O que o senhor disse naquela ocasião?

Wober - Eu disse que isso é uma mentira deslavada de uma parte da imprensa, que colocou uma foto minha dizendo que estava nesse processo. Eu saí da secretaria de educação no dia 9 de janeiro, o processo se iniciou no dia 23, e a licitação foi feita em abril. Todo o Estado sabe, porque eu sou um homem público. A minha exoneração foi publicada no Diário Oficial, eu tomei posse na Assembléia, fui nomeado pela governadora líder do governo na Assembléia, todo mundo soube disso. Apenas uma parte da imprensa não sabia que eu não estava mais na secretaria de educação do governo. É uma mentira deslavada servindo a interesses escusos que visam unicamente prejudicar a minha candidatura. Eu fiquei decepcionado, mas de cabeça erguida, porque esses vilões nós vamos enfrentar a vida inteira. Depois da eleição eu vou tomar as providências que eu achar cabíveis, porque eu não posso me encurralar diante de um grupo de mau caracteres que só querem denegrir a imagem das pessoas. 


DD – E como líder do governo qual é a opinião do senhor sobre essa licitação que está sendo questionada pelo Ministério Público

Wober – Eu pedi o processo como líder do governo e li. Houve uma licitação com 13 concorrentes, houve um pregão nacional, participaram 13 empresas, houve disputa entre as empresas, e uma delas ganhou a licitação. Os preços praticados no Nordeste brasileiro e aqui, são aqueles preços ou próximo àqueles. No final, eu quero saber se o Ministério Publico, ao não encontrar nenhum super faturamento, se o MP vai dar uma nota grande e com o mesmo destaque, dizendo que não encontrou nada. Porque, Diógenes, você pode ter um carro. Tem um Fiat e tem um Vectra, mas os dois são carros. Aí vem alguém e diz “o carro que Diógenes comprou foi muito mais barato, que o que Albimar comprou. Aí você vai ver qual foi o que você comprou e você comprou um Fiat. Quando vai ver Albimar comprou um Vectra. Um Fiat é R$ 20.000 e um Vectra é R$ 60.000, mas os dois são carros. A carteira escolar é uma carteira reforçada, diferente, é mais cara. Segundo dados dos próprios fornecedores uma carteira dessas está na faixa de R$ 120,00 a R$ 140,00, se a gente for comprar numa loja a carteira seria esse preço. Então não há superfaturamento nenhum. Eu confio plenamente no pessoal do Governo Wilma, confio plenamente na idoneidade do professor Hudson Brandão, e de toda a equipe da secretaria de educação, e isso vai ser esclarecido. É porque nós estamos num ano eleitoral aí os ânimos se exaltam mesmo, mas ninguém quer se debruçar realmente sobre o processo, sobre o tipo de carteira, como foi feito. O procedimento está rigorosamente dentro das normas estabelecidas pela Procuradoria Geral do Estado, não há nenhuma ilicitude e isso no final vai ser esclarecido, mas vai ser depois da eleição. É como aquele caso que prejudicou muito a candidatura de Fernando Bezerra, aquele caso da Metasa, que foi manchete em todos os jornais. Aí, depois de oito meses todas as referências jurídicas do país disseram “não, o senador Fernando Bezerra não tem nada haver com isso”, mas aí ele já tinha perdido a eleição. Quer dizer, o objetivo é esse. 


DD – Os partidos médios e pequenos vão ter um grande desafio nessa eleição que é superar a cláusula de barreira. Como é que está sendo tratado esse assunto no PPS?

Wober – O PPS tem a esperança de vencer a cláusula de barreira. Nós temos candidatos fortes em cinco Estados, temos chapas boas em mais cinco, são dez Estados. A gente espera vencer nessa luta eleitoral e superar a cláusula de barreira. Agora, independente do PPS superar ou não, o que vai haver no Brasil é uma nova formação política. Nós vamos propor e o PPS já está propondo isso, que partidos de centro-esquerda e de esquerda como PV, PDT, uma parte do PSB, uma parte do PT do PMDB e do PSDB, formem um partido que represente uma nova formação política. Nós precisamos fazer outras reformas estruturais que estão a serem feitas no Brasil há muito tempo. A reforma política, a reforma do Estado brasileiro, desprivatizar o Estado, a reforma tributária, que é a única capaz de proporcionar distribuição de renda e o equilíbrio entre as regiões brasileiras. Nós temos que fazer uma reforma da previdência corajosa no Brasil, que esse dinheiro sirva para proteger as pessoas que trabalham durante toda a vida, mas que sirva também para investir no caminho do desenvolvimento. O Brasil precisa fomentar a poupança, renegociar sua dívida, refundar os paradigmas da economia. Então essa é a grande tarefa dessa nova formação política que nós vamos lutar.

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