Augusto Carlos Viveiros

Sexta-feira, 01 de setembro de 2006

DD – A gente viu a pesquisa do Vox Populi dando uma vantagem extraordinária a Lula, com perspectiva de reeleição no primeiro turno. Dá pra jogar a toalha já?

Augusto – Não, Diógenes, de jeito nenhum. Veja bem, primeiro nós temos 30 dias de campanha, e são 30 dias de luta diária. Segundo, nós temos visto que o candidato Geraldo Alckmin modificou a sua apresentação no programa eleitoral. Eu conversando com o senador Sérgio Guerra e o senador Heráclito Forte, que estiveram aqui essa semana, eles me disseram que essa mudança foi feita através de uma pesquisa qualitativa. Eu ainda acredito numa vitória de Alckmin, porque um fato interessante: sabe onde é que Alckmin é mais votado no Nordeste? Aqui no Rio Grande do Norte, onde ele tem entre 17 e 20 pontos. Eu sou o coordenador geral da campanha de Alckmin no Estado, designado pelo coordenador maior que é o senador Sérgio Guerra do PSDB. E nós estamos entrando no Estado, evidentemente que com alguma dificuldade mas nós notamos que a receptividade ao presidente Alckmin é boa, então eu acho que nós podemos chegar até aos 25 pontos aqui. E no âmbito nacional, ainda tem muito chão pela frente. 


DD – Mas a gente sabe que o peso do Rio Grande do Norte no eleitorado nacional é muito pequeno. Mesmo assim dá pra ficar animado ainda?

Augusto – Dá sim. Eu acho que existem algumas coisas pontuais. Porque há uma coisa certa , se Alckmin for ao segundo turno, ele é o presidente do Brasil. Porque a frase do futuro senador João Faustino é muito boa. Ele disse que Alckmin fez uma aliança, mas não construiu uma unidade. Aqui no RN é obvio que ele não construiu essa unidade. 


DD – É porque aqui nós temos Geraldo num palanque sem estar atrelado a uma campanha majoritária, e José Agripino apoiando Garibaldi.

Augusto – Exatamente. E Geraldo sem falar no nome de Alckmin e Agripino falando no nome de Alckmin dentro daquelas possibilidades, uma vez que a unidade do palanque do PMDB está sendo preservada. 


DD – O PMDB também acende vela pra Lula em alguns locais, não é?

Augusto – Principalmente através do deputado Henrique Alves muito mais que o próprio Garibaldi. 


DD – Inclusive, Henrique disse aqui essa semana que vota no Lula.

Augusto – Exatamente. O senador Garibaldi não é lulista. Ele foi relator da CPI dos bingos. Mas Henrique vota em Lula como ele tem dito. Então, nós não temos unidade aqui, não temos unidade no Rio Grande do Sul, por causa da deputada Ieda Cruz, temos problemas no Ceará com Lucio Alcântara do PSDB, então a unidade da campanha ela está quebrada. Foi feita uma aliança, como foi feita e você vê muito forte na Bahia, onde o senador ACM está reunido essa semana agora 400 prefeitos do PFL para apoiar Alckmin. 


DD – Mas mesmo com toda essa situação, com os próprios aliados abandonando, ainda dá para buscar essa unidade e tentar chegar a um segundo turno?

Augusto – Eu insisto. Esse crescimento pífio de 0,5% no PIB, isso vai puxar Lula pra baixo. Porque na comparação com os outro países emergentes, nós somos o último, o fim da fila. A China está com 10, a Argentina nossa vizinha com 8, e nós só fizemos 0,5 %. Isso mostra principalmente para a classe média que há alguma coisa errada no governo. Esse Éden colocado através dos programas de televisão políticos, não é um Éden não. Também não é um inferno, mas é um purgatório. Nós não estamos conseguindo crescer. E olhe que o presidente Lula recebeu o país num céu de brigadeiro. Porque vamos fazer justiça, o presidente Fernando Henrique pegou turbulências. Ele não, ele pegou quatros anos tranqüilos e a gente ta com crescimento de 0,5%. Isso significa o que? Menos emprego, menos renda, menos distribuição de renda. Daqui a pouco a classe média vai entrar no Bolsa Família. 


DD – O senhor me disse ontem que a mega estrutura da campanha de Alckmin são quatro kombis. Dá pra fazer uma campanha com quatro kombis?

Augusto – É muito pouco. Eu expus aos dois senadores que estiveram aqui no Rio Grande do Norte. Eu mostrei a necessidade de criarmos 11 pontos estratégicos aqui no Estado. Porque Alckmin é muito bem votado nas cidades maiores. Ele perde nos grotões até por conta do próprio Bolsa Família. Então eu mostrei que nós precisamos ir a Mossoró, Pau dos Ferros, Currais Novos, Caicó... Eles prometeram uma modificação na campanha, mas infelizmente aqui nós não temos o apoio político. 


DD – O Lula está vindo aqui no dia 16 de setembro, o Alckmin vem?

Augusto – Lula virá, Alckmin ao que tudo indica, eu lhe digo, não virá. 


DD – Até por conta dessa divisão de palanques...

Augusto – E não é a primeira vez que isso acontece no RN. Porque aqui a campanha é muito estadualizada, ela não é federalizada. 


DD – A deste ano está mais estadualizada do que nunca? Por que?

Augusto – Muito mais. Primeiro porque são dois candidatos conhecidos. É um julgamento dos governos deles. Você vai comparar políticas públicas e estratégias de desenvolvimento dos dois para escolher entre um e outro. Embora a governadora Wilma tenha tentado baixar a política jogando algumas acusações contra Garibaldi, mas ela recuou porque Garibaldi não fez o jogo dela. Porque cada um tem uma personalidade e eu conheço os dois muito bem. Já fui coordenador da campanha de Wilma três vezes. 


DD – Você já foi Wilmista, ainda é?

Augusto – Não, claro que não. 


DD – Mas já que o senhor conhece tão bem os dois perfis, fale sobre eles.

Augusto – Garibaldi tem um perfil muito mais desenvolvimentista que Wilma. Ela é muito mais da esquerda, muito mais socialista. Não sei ela tem profundidade , mas ela se diz esquerda. Ela olha o processo através de uma distribuição de renda, mas qual é a grande proposta de desenvolvimento para o RN? Não tem. Honestamente, não tem. Porque a ponte como estratégia, isso não funciona. A ponte liga coisa nenhuma a nada. Porque se não fizer um plano diretor da Redinha, não adianta fazer a ponte. Já a característica de Garibaldi é muito mais relacionada ao desenvolvimento. Ele teve uma parte mais estruturante em seu governo, e o Estado precisa não só de políticas publicas, mas precisa de desenvolvimento para geração de renda e emprego. Nós precisamos pensar no aeroporto de São Gonçalo, na refinaria não que nós já perdemos. No porto, no gasoduto. Então eu acho que nos temos que apostar todas as nossas fichas nesse aeroporto de são Gonçalo, são 25 mil empregos. E o que eu vejo hoje no RN é uma juventude ansiosa para trabalhar e os empregos praticamente não existem. Eu acho que tem que se olha para isso para se ter uma expectativa de qualidade de vida para o povo do nosso Estado. 


DD – Já dá pra gente ter uma tendência de vitória tanto para o governo quanto para o senado?

Augusto – Agora todos os institutos são a Garibaldi uma diferença de 8 pontos. Há uma nova tendência de subida. Quem agora puxar o nariz do avião ou pra baixo ou pra cima, a vitória vai chegar jajá. No senado eu já acho que está “emboloado”. Nas pesquisas a candidata Rosalba está crescendo, Geraldo Melo vem caindo, e Fernando Bezerra está estável em cima. Vamos ver como é que acontece agora o exército de prefeitos que Fernando Bezerra tem, que são 140 prefeitos que ele deve colocar em campo, e vamos ver a mensagem , a novidade da Rosa que continua fazendo carreira pra subir.