Rio Grande do Norte, 21 de novembro de 2008

Henrique Eduardo Alves

DD – Esta semana nós tivemos um encontro entre os empresários e os principais candidatos ao governo do Rio Grande do Norte. E o que ficou marcado, gerando inclusive a frustração de alguns, foi a ausência de propostas de ambos os candidatos. O que o senhor achou disso?

Henrique – Eu acho que para um primeiro encontro é uma tendência natural cada um querer mostra o que fez, e acho que serviu de exemplo para outros debates que deverão acontecer nessa campanha. 


DD – E haverão outros debates? Porque os que estavam marcados eles não quiseram participar...

Henrique – Vai sim, vai ter o da TV Cabugi no dia 26 de setembro. Parece que em todo o Brasil as emissoras afiliadas da Rede Globo farão os debates em seus Estados. 


DD – Mas em relação à falta de novas propostas, o senhor acha que está havendo isso nessa campanha?

Henrique – Eu acho que não, e o prova disso é que o programa de Garibaldi Filho no rádio e na televisão tem mostrado sistematicamente as propostas dele para os próximos quatro anos. Tem-se evitado baixarias e retaliações e mostrado claramente as propostas em todos os setores de atividade no Rio Grande do Norte. 


DD – Outra coisa que se esperava no horário eleitoral era um embate em torno de denúncias do governo atual contra o governo passado e vice-versa. E a gente não está acompanhando isso, os candidatos estão com medo de atacar um ao outro? 


Henrique – Não, eu acho que não é isso. Eu acho que eles fizeram avaliações e viram que o povo não quer isso. O povo quer propostas, quer idéias, quer discutir aquilo que cada um pensa em relação ao futuro, e quem partir pra baixaria e agressão perde pontos e cai muito no conceito do povo norte-rio-grandense. Está mais que claro que o povo não quer este tipo de discussão, até porque os políticos se aproximam depois e essas críticas se esquecem e ficam apenas com motivação eleitoral. 


DD – Logo nos primeiros dias a gente viu a Governadora Wilma de Faria falando sobre o programa do Leite. Ela, inclusive, deu declarações afirmando que o desvio teria sido maior do que os R$ 9 milhões que a população tomou conhecimento. O que é que o senhor tem a dizer a respeito disso?

Henrique – Eu acho que isso é uma irresponsabilidade da governadora. Tem também um pouco de desespero não é, porque ela não está bem na campanha. Ela não está bem nas pesquisas e tenta partir para essas declarações irresponsáveis e sem nenhuma fundamentação. E ela só tem a perder com isso porque a vida de Garibaldi Filho, os seus mandatos, é um história muito bonita e muito rica que o povo conhece e vai renovar no dia 1° de outubro. 


DD – O governo de Garibaldi ficou marcado como o governo das águas. Se for eleito qual vai ser a bandeira desse novo mandato?

Henrique – Eu acho duas questões claras. A primeira é saneamento básico. O Estado tem apenas 14% de saneamento, o que é gravíssimo. Constatamos isso em todas as cidades do interior do RN, e em Natal mesmo que tem menos de 30% da sua área saneada e eu acho que o grande desafio de Garibaldi para esse novo governo é o saneamento básico. A outra questão é a educação, que será um foco central da administração de Garibaldi, associada ao saneamento que é uma questão de saúde pública. 


DD – Desde a semana passada há um debate muito grande em torno das pesquisas. Que avaliação você faz das pesquisas neste momento e quando é que nós vamos ter a consolidação do quadro que mostra a tendência de vitória para um lado ou para outro?

Henrique – Eu acho que consolidou já. Pra mim a eleição está decidida e o que se discute hoje é somente a maioria de Garibaldi. Eu acho que a maioria dele passa da casa dos 200.000 votos. Essa é a avaliação que eu faço através das pesquisas que eu vejo, a da Índice que chegou a 8.,a da Perfil 8.4, o Ibope que deu 8 pontos. Eu acho que a eleição está consolidada, Garibaldi está eleito governador do Rio Grande do Norte, com uma tendência muito grande de crescimento ultrapassando a meu ver a barreira dos 200.000 votos de maioria. 


DD – E em relação a Câmara Federal, a gente viu ontem os jornais trazendo a lista dos mais citados e você liderando essa lista. A sua coligação vai fazer quatro, vai fazer três, qual a sua avaliação?

Henrique – Essa pesquisa é muito relativa, porque além do número grande de indecisos, depende muito da região. De repente pega uma cidade onde aquele parlamentar tem mais votos aí ele sobe na pesquisa. Então é uma base muito frágil essa pesquisa, é só um ponto de largada digamos assim, não configurando ainda quais serão os eleitos no dia 1° de outubro. Mas na nossa avaliação, nós teremos quatro deputados federais, de um lado e quatro do outro, e no senado também se consolidará a posição de Rosalba. 



DD – E como é que está a esta altura da campanha a aliança do PMDB com o PFL? Sempre que se fala disso, lembra-se da resistência de alguns municípios, essa questão já está superada?

Henrique – Eu acho que está. O comício de Pau dos Ferros foi o maior e o melhor dessa campanha e de outras campanhas. Foi a maior manifestação pública que eu assisti nos últimos anos em Pau dos Ferros. E lá é um exemplo muito claro da aliança PFL – PMDB. Talvez seja o melhor exemplo, e o quadro claro da absorção dessa aliança. Eu vi a até falei no meu discurso que eu sentia muita falta do meu pai naquele momento, para que ele pudesse ver o verde e o vermelho se somando numa manifestação de apoio à candidatura de Rosalba e Garibaldi , do PFL e do PMDB. Isso consolida cada vez mais a presença de José Agripino do nosso lado, e esse crescimento de Garibaldi, a consolidação da sua vitória, tem muita haver com o apoio do PFL. 


DD – Geraldo Melo, que poderia ter sido o candidato ao senado de Garibaldi, disse aqui que essa aliança do PMDB com o PFL não vai passar da noite de núpcias. O que é que você tem a dizer sobre isso?

Henrique – Eu acho que só o tempo mostrará o equívoco dessa apreciação do senador Geraldo Melo. Até porque não era esse o pensamento dele quando conversávamos com a participação ainda do PSDB. Ele mesmo considerava muito importante a participação do PFL, a aliança com José Agripino. Então eu acho que é um equívoco e que só o tempo irá mostrar. Até porque quando você soma lideranças qualificadas, responsáveis e experientes como José Agripino e Garibaldi, elas estão acima de qualquer suspeita. Pela coerência de ambos, pela vida parlamentar e publica de ambos, é um atestado de que vai durar muito a aliança PFL – PMDB 



DD – Outra queixa de Geraldo é que Garibaldi tem pedido o voto casado apenas para quem vota nele. Já no caso de quem vota em Fernando Bezerra, ele não age dessa forma. Está havendo isso mesmo?

Henrique – Não, o voto casado é uma questão de coerência, é questão de você ser correto ser leal com o seu compromisso. O PFL está trabalhando muito para Garibaldi em Mossoró, Pau dos Ferros, em todas as regiões do Estado. Então há reciprocidade, o PMDB trabalha com a mesma convicção para fazer Rosalba nossa senadora. Então sobre o voto casado independente de quem o prefeito do município apóia, a palavra de Garibaldi é a mesma. Isso está sendo colocado se respeitando aqui e acolá algumas posições diferenciadas, mas colocando com clareza para a população que nos queremos o voto casado como coerência para uma aliança que foi feita pra valer, que é Garibaldi pro Governo e Rosalba pro Senado. 



DD – Na semana que vem tem esforço concentrado em Brasília do qual você deve participar também, como é que você avalia a imagem do congresso depois de tantos escândalos, e qual a sua expectativa em torno de uma reforma política?

Henrique – A imagem é muito ruim, Diógenes. Eu nunca participei de um congresso como este, aquilo não é a minha casa, digamos assim. Aquilo não pode ser o poder legislativo. De sanguessugas, de mensalões, de cassassões, um horror, um negócio inaceitável. Agora eu espero que o povo brasileiro possa fazer uma faxina no congresso nacional agora no dia 1° de outubro, para que a gente possa restabelecer os poderes mais legítimos e mais próximos do povo brasileiro, que tem de ser o poder legislativo. Eu acho que essa imagem tem que mudar, essa atitude dos parlamentares tem que ser modificada, e a grande oportunidade é o povo com seu voto no dia 1° de outubro. E agora é a hora de começar essa reforma política. 


DD – O presidente Lula está vindo ao Rio Grande do Norte no dia 16 para fazer campanha para Wilma de Faria e para o senador Fernando Bezerra. O PMDB está pedindo voto para Lula também a exemplo de outros Estados da Federação?

Henrique – Olha, é muito bem vinda a visita do presidente. Nós temos vários projetos que dependem de uma participação mais efetiva do Governo Federal. A questão do Aeroporto de São Gonçalo que já deveria ter um andamento mais significativo e não teve. Perdemos a refinaria para Pernambuco, o terminal pesqueiro para a Paraíba. A nossa educação está em último lugar, quer dizer, muitas coisas que precisam chegar aos ouvidos do Presidente Lula de forma clara para que ele seja um parceiro importante e será, até porque eu voto nele e quero a sua reeleição. 


DD – Você vota no Lula?

Henrique – Voto, não é novidade, eu participei da reunião na Granja do Torto com o PMDB ao lado dele. Eu tenho participado das discussões sobre estratégias de campanha.
 

DD – Garibaldi vota no Lula?

Henrique – Não, Garibaldi coitado, está cercado de todos os lados. Sou eu querendo puxar ele pra Lula, José Agripino puxando pra Geraldo Alckmin, e Garibaldi vai se situando respeitando a posição da coligação que é muito diversificada. Mas eu acredito que Lula merece o nosso voto principalmente pelo projeto de transposição do Rio são Francisco. Foi o governo depois de Itamar Franco com Aluizio que efetivou esse projeto, consolidou esse projeto, deu andamento, só não se realizou ainda, então Lula tem esse grande mérito e por isso terá meu voto no dia 1° de outubro.

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