Rogério Marinho
Terça-feira, 05 de setembro de 2006
DD – As pesquisas estão apontando você numa disputa para uma das oito vagas para a Câmara dos Deputados. Você se sente hoje com essa tendência de eleição já consolidada?
Rogério – Não, a gente tem escutado entrevista de outros candidatos que se consideram já eleitos. Não é essa a nossa posição. Nós temos muita humildade em relação ao pleito, uma vez que parece que precisamos de 100.000 votos para conseguir ser eleito. É importante estarmos pontuando entre os oito primeiros desde as primeiras pesquisas que estão sendo colocadas, mas a pesquisa para proporcional não tem a mesma precisão científica que tem para a majoritária.
DD – Na sua avaliação a coligação Vitória do Povo faz cinco deputados federais ou vai dar quatro a quatro?
Rogério – Eu acho que está muito cedo ainda para dizer. Se bem que a nossa chapa é muito mais competitiva, tem candidaturas mais densas. As pesquisas que estão aí apontam que nós temos um maior número de votos, mas a gente só vai saber nos próximos 15 dias. O normal é que seja quatro a quatro, eu vou torcer que seja cinco a três , mas vamos aguardar mais um pouquinho pra poder ter um prognóstico preciso.
DD – Em relação à chapa majoritária como é que você tem acompanhado aí as pesquisas? Inclusive teve uma pesquisa da revista ISTOÉ que deu vitória a Wilma de Faria, mas os números estão diferentes de outras pesquisas que estão dando diferença de até oito pontos de vantagem para Garibaldi.
Rogério – Há pesquisas para todos os gostos e por isso a gente tem visto aí resultados conflitantes. Mas uma coisa está muito clara, que essa disputa é acirrada e não há favoritos. Até novembro do ano passado o candidato adversário tinha até 26% de favoritismo, mas a campanha deu igualdade a essa disputa. Nós temos caminhado todo o Rio Grande do Norte e temos hoje apoio em 122 municípios. Eu tenho visto um volume de campanha por parte da nossa candidata muito forte. Eu particularmente acredito na vitória da governadora Wilma, mas vamos aguardar ainda porque é uma campanha muito acirrada, a governadora tem um trabalho forte nos municípios, e o senador Garibaldi também prestou muito serviço às cidades do interior quando foi governador. Agora a população vai ter que escolher um dos dois. Eu particularmente já fiz a minha opção porque eu acho que nos três anos de governo, Wilma de Faria fez mais que o outro candidato, mas agora cabe ao povo julgar.
DD – Essa é realmente uma eleição em que se julga o atual governo e o antecessor?
Rogério – É uma eleição de comparação. Os dois candidatos adversários da governadora Wilma, eu digo dois porque José Agripino se coloca o principal aliado de Garibaldi, eles juntos tiveram 16 anos de governo. A governadora teve três anos e meio. A grande acusação que se faz a ela, é que ela não tem uma marca. O senador José Agripino, por quem eu tenho todo o respeito, alega que ele foi um governador que teve marca da vaquinha por causa do Projeto Curral. Já Garibaldi Filho foi o governador das águas. E a governadora Wilma ela não tem uma marca porque ela teve um governo heterogêneo, um governo que teve o maior programa de habitação que o Estado já viu, com quase 30 mil residências restauradas e edificadas, ela é a governadora das estradas com mais de 1.500 Km de malha viária recuperada, é a governadora do emprego, ela tem varias marcas e a população vai saber julgar oportunamente.
DD – E para o senado? como é que o senhor está vendo essa disputa que está muito acirrada e ainda indefinida?
Rogério – Olhe nós temos três postulantes que são três pessoas que têm importantes serviços prestados ao Rio Grande do Norte. O ex governador Geraldo Melo, inquestionavelmente um grande senador, a ex-prefeita Rosalba Ciarline, que foi uma grande prefeita para a cidade de Mossoró, e tem o nosso senador Fernando Bezerra. É uma campanha acirrada até mesmo pelo acirramento da campanha majoritária. Há um diferencial aí que é o descolamento da candidatura de Geraldo, mas eu acho que o que vale para a governadora Wilma vale também para Fernando Bezerra. Ele tem sido um senador extremamente operoso, ajudou muito ao Estado do Rio Grande do Norte e eu acredito que ele merece voltar ao senado da república. Inclusive ele é um líder no Governo Lula, o que é uma distinção para um Estado como o RN. Demonstra o grau de confiabilidade que existe entre Lula e Fernando Bezerra, e mostra também o nível dele de competência, de atuação e de articulação política. A governadora Wilma quando eleita vai precisar muito do apoio do senador Fernando Bezerra já que os outros dois senadores são de oposição. Por isso eu acredito na vitória de Fernando Bezerra e na necessidade dessa vitória.
DD – Os Wilmistas têm colocado muita expectativa na visita do presidente Lula, inclusive esperando que o evento marque uma possível virada de Wilma de Faria em relação ao adversário Garibaldi Filho. Lula precisa vir ao Rio Grande do Norte para Wilma virar o jogo?
Rogério – Não, eu acho que o jogo já está virado. Talvez ele possa consolidar essa virada. Eu tenho andado muito pelo interior do Estado e aonde nós vamos há um sentimento muito forte da população de gratidão ao presidente Lula. Ele tem sido realmente um presidente que tem olhado o povo mais pobre através dos programas assistenciais e das ações que geram emprego e renda. Então é importante que a população tenha muito claro que a aliada de Lula aqui no Estado é a governadora Wilma de Faria. Já Garibaldi Filho e José Agripino, são oposição a Lula.
DD – Mas Henrique Eduardo Alves está tentando puxar Garibaldi para o lado de Lula...
Rogério – É mas aí é uma questão só de conveniência política. José Agripino é o principal aliado de Garibaldi e é também líder da oposição no cenário nacional. A população tem que estar consciente que eleger Garibaldi é eleger alguém que é adversário do presidente Lula. É importante que a população tenha a consciência de que Lula e Wilma marcham juntos, têm a mesma identidade política, e dentro do Estado e dentro do cenário nacional farão uma tabelinha a favor do Rio Grande do Norte.
DD – Comenta-se inclusive que o deputado Henrique Eduardo Alves vai aproveitar o esforço concentrado essa semana lá no congresso para fechar o apoio do PMDB a Lula no Rio Grande do Norte. Esse apoio seria oficializado também no dia 16 durante a visita do presidente ao Estado. Isso não vai atrapalhar a festa da governadora Wilma?
Rogério – Não, porque o palanque de Lula é o palanque de Wilma. É claro que ele como qualquer político não vai rejeitar apoios. Se Garibaldi, José Agripino ou qualquer outro vai aderir à campanha de Lula, que sejam bem vindos porque é importante para todos nós que Lula seja reeleito.
DD – Caso seja eleito, qual vai ser a sua bandeira de luta em relação à questão da reforma política?
Rogério – Eu tenho duas vertentes que eu acredito que sejam essenciais caso eu seja eleito. A primeira é realmente a reforma política. O Congresso Nacional perdeu a sua credibilidade junto à população, isso é fato. Nós que somos políticos todos estamos contaminados por essa falta de credibilidade, hoje a percepção da população é de que todos os políticos são iguais. É evidente que a classe política precisa perceber que só vamos retomar a nossa credibilidade se mudarmos nosso métodos. É necessário que os partidos sejam fortalecidos e que haja a lista fechada, que aparentemente é um contrasenso lógico, mas eu vou lhe dar um dado que a população do RN e do país eu acho que não tem consciência. Esse congresso que aí está, quase a metade mudaram de partido, o partido mais forte do Brasil é o PG Partido do Governo, dos adesistas, daqueles que não sabem ter um lado, sé querem ficar o lado que for mais conveniente para eles. Então se você analisar que apenas o Brasil e a Finlândia, das democracias ocidentais, são os únicos países que tem um sistema eleitoral como o nosso, já se vê que há uma grande distorção, um grande equívoco no nosso modelo político eleitoral. Então os partidos tem que ser valorizados, eles não podem ser meros cartórios que só são utilizados na época da campanha eleitoral. Eles têm que existir e as pessoas têm que opinar dentro do próprio partido para que na hora que aconteça a eleição, o eleitor tenha muito claro que está votando no partido A ou no partido B em função de um programa, de uma idéia, de um projeto, e não de um personalismo político que hoje está distorcendo totalmente o processo eleitoral. Então de uma maneira muito clara nós vamos empunhar a bandeira da reforma política porque acreditamos que é a única forma que temos de resgatar a credibilidade dos nossos dirigentes.
DD – Que polêmica foi essa com o deputado Robinson Faria, quando o senhor chegou a dizer, numa entrevista a uma rádio de Mossoró, que ele não vai se reeleger à presidência da Assembléia Legislativa?
Rogério – Primeiro eu não dei entrevista a nenhuma rádio. Isso surgiu de uma conversa informal minha com o jornalista César Santos lá do Jornal de Fato. E o jornalista reproduziu a conversa que eu tive com ele sem o meu consentimento.
DD – E nessa conversa informal o senhor realmente a dizer isso?
Rogério – Não, o que eu conversei com ele foi uma analise de quase duas horas sobre a conjuntura política do nosso estado e dentro deste assunto ele me perguntou sobre a situação do deputado Robinson Faria, se ele seria reeleito presidente da Assembléia. O que eu coloquei, num papo entre amigos sem dar nenhuma declaração, foi que ele poderia ter algumas dificuldades para se reeleger presidente da assembléia em função do projeto político que ele está empunhando.
DD – O senhor chegou a dizer que ele cometeu um erro ao ter lançado o filho candidato a deputado federal?
Rogério – Não, de jeito nenhum. Até porque eu não sou de cercear a vocação política de ninguém. Eu tenho a minha vocação política, quero ser respeitado por ela e respeito o deputado Robinson Faria. Eu tive uma conversa em off com um jornalista e ele fez o favor de pinçar de duas horas de conversa, algumas palavras e colocar como manchete de um jornal. Então o deputado Robinson merece o meu respeito, a minha admiração, e o deputado, já posso chamar assim, Fábio Faria vai ser meu companheiro de Câmara Federal , nós vamos ter uma convivência aprazível , socialmente agradável, e vamos trabalhar juntos a favor do Rio Grande do Norte.