Paulo Davim

Terça-feira, 05 de setembro de 2006

DD – Eu queria comentar com você a questão do voto sem compromisso. Está havendo isso mesmo nas cidades do interior?

Paulo – Eu acredito que isso é reflexo da falência das estruturas partidárias. Os partidos se enfraqueceram tanto no país, que o eleitor está começando a votar como em décadas passadas. Voltando a votar na pessoa, o que não é bom para o país. Os países mais desenvolvidos politicamente, eles construíram uma estrutura partidária forte. Isso é importante, as pessoas tem que votar no programa do partido, no que eles acreditam. O Brasil passa por um momento de crise na credibilidade das suas instituições. O caso de Rondônia é um exemplo claro onde não foi só o legislativo, foi o executivo e o judiciário. Nas nossas conversas com o povo a gente nota um grande descrédito na classe política. E isso me amedronta, porque imagine se esse descrédito, essa indignação, resultar num avassalador voto nulo e branco. 


DD – E nós já estamos vendo as pesquisas Datafolha e Ibope aí mostrando que 18% dos eleitores vão votar nulo ou branco. Só para comparar, na última eleição esse número foi de 2,5%.

Paulo – Pois é e eu tenho me preocupado muito e na medida do possível tenho tentado convencer as pessoas a votarem. Porque não vai ser dando as costas para o caos que vai se resolver o problema. Ele tende a aumentar e beneficiar quem do caos vive. Então gente tem que dar um voto consciente, escolher o melhor candidato, se não o ideal que seja o que mais se aproxima desse ponto de corte. Só não pode votar nulo e branco porque é a pior forma de protestar. 


DD – Voltando ao assunto do voto sem compromisso, o seu partido está apoiando um candidato e você apóia outro ...

Paulo – Não o meu partido não apóia. O meu partido não tem candidato. A coligação que foi feita foi só na proporcional e o partido não declarou apoio a nenhum candidato nem a senador nem a governador. Eu tenho inclusive as atas da coligação e do partido ... 


DD – Mas a gente viu fotos nos jornais da presidente do partido ao lado da candidata Wilma ...

Paulo – Mas na hora que não formaliza o apoio, os seus membros ficam livres para apoiar quem quiser. No meu caso eu fiz a opção de apoiar o senador Garibaldi. Outros membros do partido apoiaram outras candidaturas já que não houve formalização na majoritária. Portanto eu não estou indo de encontro a uma determinação partidária, eu estou apenas exercendo meu direito de cidadania e de parlamentar, já que o partido não deu nenhuma orientação oficial. 


DD – Eu soube que por causa dessa sua escolha você está sendo prejudicado no horário eleitoral , e está com um tempo menor do que outros candidatos do partido. Está acontecendo isso mesmo?

Paulo – É verdade. A gente sabe que nessa eleição estamos tendo dificuldade em divulgar, porque foi cerceado de certa forma o direito do candidato de divulgar o seu nome e o principalmente o seu número. Não podemos fazer outdoor, canetas, nem outros brindes que a justiça proibiu. E aí ficou difícil a divulgação, e sobrou para os candidatos somente o horário eleitoral. Inclusive tem algumas pesquisas mostrando aí que as pessoas não estão mais interessadas em assistir ao programa eleitoral, a audiência caiu em relação às eleições passadas, mas mesmo assim é um instrumento importante. Eu percebo que o tempo que me foi dado pela coligação é exíguo, menor que alguns candidatos. Eu procurei me inteirar dos porquês e esses porquês nunca chegam. 


DD – Você está com quanto tempo no horário eleitoral?

Paulo – 15 segundos. Tem outros candidatos também com 15 segundos, mas tem candidatos com 1 minuto... 


DD – E quem são esses candidatos com 1 minuto?

Paulo – Bem, eu preferia não citar nomes, mas quem assiste percebe. Eu acho injusto, os direitos deveriam ser iguais até para que o eleitor ouça em condições iguais todos os candidatos e formate um pensamento, faça seu juízo de valor. Então eu acho que esse princípio deveria ser conservado e mantido. Tenho a impressão que estou pagando por ter tomado essa minha postura. 


DD – Por conta disso você pretende mudar de partido após as eleições?

Paulo – Não, de jeito nenhum. O PV é o maior partido do mundo, ele está presente em 145 países. O programa do partido é maravilhoso e encantador, e se deu certo em 145 países do mundo, terá que dar certo no Brasil e principalmente no Estado. O partido não é só uma sigla, é uma causa que eu abracei. Vão-se os anéis e ficam-se os dedos, então as causas são maiores que os homens. 


DD – A gente falou aqui da imagem dos políticos nesse momento difícil da política brasileira. Você é um médico de renome aqui no Estado, até que ponto essa imagem do político prejudica o profissional Paulo Davim? 

Paulo – Eu tenho 21 anos de medicina, então o meu nome como médico já está bem consolidado, até porque em nenhum momento eu deixei de exercer a medicina em função da política. Até porque política não é minha profissão. Minha profissão é a medicina e é a que eu vou carregar para o resto da vida. 


DD – É mais fácil tratar com paciente ou com político?

Paulo – É muito mais fácil tratar um paciente grave na UTI, dando plantão, do que fazer política nesse contexto atual. 


DD – Você está lançando o livro “A doença e a lei – Os direitos dos doentes crônicos” , o que é que você relata nesse livro?

Paulo – Na verdade esse livro foi publicado quatro meses atrás. É um trabalho que eu já tinha feito e a Unimed publicou porque achou bastante interessante. Isso é furto de uma observação que eu fiz ao longo destes 21 anos de medicina, onde os pacientes chegam ao meu consultório reclamando da situação financeira para tratar as suas patologias, ao tratamento, aos exames e ao acompanhamento em geral. E na maioria das vezes são doenças limitantes, crônicas e degenerativas, que os pacientes desconhecem os seus direitos. São doenças tipo diabetes, hipertensão, HIV, doenças reumáticas, doenças que deixam seqüelas. Então os pacientes desconheciam a legislação que lhe ampara e os médicos também. Então nós escolhemos nove patologias que mais limitam o paciente e fizemos um levantamento de toda a legislação que ampara esses doentes. Para você ter uma idéia, o paciente com câncer tem direito a ser isento do imposto de renda, pode ter a casa própria quitada se for de um financiamento oficial. Os pacientes que tem limitação de membros superiores ou inferiores, podem comprar automóveis com abatimento de 25 a 30 por cento. Então tem vários direitos que os pacientes desconheciam e a gente colocou tudo nesse livro, que tem distribuição gratuita. Mas como estamos no período eleitoral, um candidato fez uma denúncia contra a Unimed por ter distribuído esse livro, mesmo não tendo nada de política e sendo só um trabalho do medico Paulo Davim. Então nós ligamos para a Unimed, pedimos para não distribuir agora, e depois das eleições os pacientes que forem portadores de alguma doença crônica podem procurar a Unimed e receber de forma gratuita.