Rio Grande do Norte, 21 de novembro de 2008

Nélter Queiroz

DD – Eu queria começar falando sobre esse episódio do “V” no comício em Acari. Como foi isso?

Nélter – É um episódio que pra mim não é estranho eu ir ao município de Acari. O Dr. Juarez Bezerra , prefeito de lá, já me apoiou três vezes para deputado estadual, vai me apoiar agora pela quarta vez. É interessante que isso tenha acontecido em Acari para que se esclareça tudo. Wilma e Márcia Maia ficaram contra o Dr. Juarez na eleição para prefeito, e Márcia chegou a chamá-lo de “doutorzinho”, diminuindo o potencial político e médico de Dr Juarez. Eu fiquei do lado dele, José Agripino também, e eu sou uma pessoa que não posso ver o partido acima das amizades. Eu tenho a amizade acima dos partidos. Eu sou amigo de Dr. Juarez, sou parente dele ainda, tenho o apoio dele do vice Antonio Carlos, dos vereadores. Lá em Acari eu estive a convite dele, e Iberê, que é candidato a vice governador de Wilma, que inclusive nunca apoiou Wilma para prefeita de Natal. Iberê geralmente ia para o interior, então é uma salada isso que existe hoje. Na hora que eu levantei o V tem várias interpretações. Eu levanto o V quando estou com Garibaldi nas carreatas, o V significa José Agripino, significa a vitória, esse V é mais histórico de José Agripino do que de Wilma. Já teve eleitor meu que interpretou aquele V como “volta Garibaldi”. 


DD – Então não era o V de Wilma?

Nélter – Eu nem lembrei disso, fiz sem intenção nenhuma de nada, eu não escondo nada. Quando eu fiz as minhas colocações ali, eu quis dizer à população que Dr. Juarez disse que vota nos candidatos que mais trabalharam. Eu disse que não tenho dúvida que, como candidato a deputado estadual, sou o que mais trabalho por Acari e com certeza serei o mais votado, pois quem trabalha merece ser mais votado. Foi essa a interpretação que eu quis dizer. Mas importante dizer aqui, Diógenes, que se eu estivesse fraco eu não estaria sendo tão cobiçado na imprensa, na questão de alguns adversários quererem denegrir a minha imagem. Isso é uma interpretação que eu faço. A outra é que o deputado Iberê fazer esse tipo de coisa, porque eu descobri que foi ele quem levou uma jornalista, tirou essa fotografia e fez isso para tentar parecer que alguém aderiu para Wilma. Quando a gente só vê o contrario, eu só adesão para Garibaldi. 


DD – Então o senhor atribui esse fato ao deputado Iberê?

Nélter – Sim, ele usou a malícia para fazer isso. Foi uma estratégia da campanha que ele é um dos coordenadores, para tentar confundir. É tanto que hoje em todo o Seridó se espalha aquela fotografia. Em todos os municípios estão tentando pregar que Nélter aderiu para Wilma. Olha, se eu não fui pra Wilma antes, imagine depois da derrota, porque eu não acredito na vitória de Wilma. Em Cruzeta por exemplo, o prefeito é do PMDB, apóia Wilma , Henrique para federal e Álvaro Dias para estadual. Não é estranho para um prefeito do PMDB? Ele apóia Wilma em troca de um bom diálogo, e tem que cumprir seus compromissos. Eu tenho uma parte dos prefeitos que me apóiam que apóiam Wilma, eu tenho cidades que me apóiam e apóiam Garibaldi também, como é o caso de Ipueira. 


DD – Como você disse, essa eleição é uma salada mista. Tem também deputados ligados à Wilma, subindo no palanque do PMDB...

Nélter – Claro. Ezequiel em Currais Novos recebe o apoio do grupo que vota em Garibaldi. O deputado Zé Dias tem três vereadores em Areia Branca que votam nele e votam em Wilma. Então isso existe tanto de um lado como do outro. Ninguém pode ajeitar apoio. Eu tenho apoios antigos, em São Vicente eu tenho o apoio do PMDB e do prefeito, os dois lados me apóiam. Assim como eu tenho apoio dos dois lados em várias cidades. Isso é muito interessante, eu tenho o apoio do vereador Odelmo, presidente da Câmara Municipal de Assu, que também apóia Garibaldi porque ele é do PMDB. Enquanto lá tem um candidato do PMDB também que é Zeca Abreu, filho de Assu. Garibaldi rejeita apoio com ele e Fernando Bezerra? Claro que não. Lá em jardim de Piranhas o prefeito Antonio Macaco, apóia Garibaldi para governador e Fernando Bezerra para senador. Ronaldo Soares de Assu e Zé de Deus de Ipanguaçu a mesma coisa. Quer dizer, não existe ditadura militar . Agora o que existem pessoas sérias como esses prefeito,s que tem que cumprir seus compromissos com esses candidatos que têm serviços prestados à comunidade, à sua terra. 


DD – Conta pra gente como foi o episódio com Henrique Edurado Alves, que os jornais deram tanto destaque. O que foi que houve? Você se chateou porque Henrique pediu voto para Zeca Abreu lá em Assu?

Nélter – Lamentavelmente a jornalista Thaísa Galvão está insistindo no blog dela que eu tive uma briga com Henrique. Pelo contrário, não houve briga nenhuma. Em todo palanque há concordância e discordância, é natural. Nós chegamos em Ipanguaçu e eu tenho apoio lá, o candidato do prefeito que é Zé de Deus apóia Ricardo Mota e Nélio Dias, e apóia Garibaldi, e o prefeito apóia Fernando Bezerra. E quem devia falar lá era somente o prefeito, Garibaldi, Nélio Dias, Ricardo Mota... 


DD – Mas Henrique...

Nélter - Henrique não era nem pra falar lá. Porque ele não tem apoio expressivo em Ipanguaçu. Ele não tem apoio nem de nenhum suplente de vereador. Eu tenho apoio de dois vereadores e do candidato derrotado que eu trouxe e apóia Nélter e Betinho. Betinho tem um apoio expressivo em Ipanguaçu. A gente resolveu não falar para Garibaldi, Rosalba, Nélio Dias e Ricardo Mota que têm apoio lá, falarem com mais tempo, foi isso que aconteceu. Aí Henrique colocou Zeca Abreu pra falar e depois falou. Zeca Abreu não tem apoio de ninguém em Ipanguaçu. Eu acho que Henrique fez isso sem maldade, e não houve nada demais. Apenas eu disse, olhe Henrique desse jeito não vai dar certo, eu apenas chamei ele para a reflexão. 


DD – Mas vocês chegaram a falar alto? Houve discussão? Há até comentários de que Garibaldi teve o botão da camisa arrancado... 


Nélter – Garibaldi nem ouviu, quem escutou a conversa foi Bruno Melo e acho que Renato Dantas que também estava por perto. Eu disse a Henrique que daquele jeito não dava certo não dava pra acompanhar daquela forma, a gente tem que pensar em Garibaldi e Rosalba. A carreata que era pra terminar em Macau, terminou em Pendências, não deu tempo... 


DD – E falou-se que você chegou até a tirar os carros da carreata depois desse aborrecimento...

Nélter – Aí, aconteceu isso. Eu disse: olhe Henrique, se é dessa forma eu vou ficando por aqui, e a nossa estrutura também vai ficando. Aí aconteceu outro problema em Alto do Rodrigues, Zeca Abreu que é meu amigo, não tenho nada contra ele, lançou um candidato a prefeito do PMDB. O líder maior de Alto Rodrigues é Abelardo, o prefeito, que apóia a chapa de Garibaldi. Então aconteceu esse contratempo, novamente um desgosto aconteceu no Alto do Rodrigues, o prefeito não gostou do que aconteceu. Então isso nós temos que consertar, a campanha vai caminhando e onde estiverem os problemas nós temos que consertar. É tanto que de Assu para Ipanguaçu, veio dentro do carro Garibaldi e o motorista, e atrás viemos eu Henrique e Ronaldo Soares, conversando sobre os problemas que estavam acontecendo em Assu. Por exemplo, na carreata em Assu nesse mesmo dia, eu chamei atenção que o locutor chama o nome de Henrique com destaque. Chamou o nome de Zeca Abreu com destaque. E por que não fazer isso com Nélio Dias que é o candidato de Ronaldo Soares? Por que não dar destaque também a Nélter Queiroz que também tem o apoio do prefeito Ronaldo Soares? Quer dizer, Nélter tem a fama de brigão, arengueiro, mas eu chamo atenção para uma coisa justa, uma coisa certa, não há nada demais. E depois desse episódio aconteceu uma reunião com todos os candidatos, eu não pude participar, e Garibaldi já conversou comigo, Henrique conversou comigo, me pediu “ Nélter entenda, eu esqueci”. É isso, é empolgação, a coisa tava tão bonita na carreata que o locutor talvez disse isso sem malícia. Eu chamei atenção para que o candidato mais forte na cidade, que tem apoios mais importantes, seja também mais destacado. 


DD – Depois desse episódio comentou-se também que haveria a possibilidade de após as eleições Henrique expulsar Nélter Queiros do PMDB, como é que você recebeu esse tipo de notícia?

Nélter – Quem me expulsa sofre mais. É claro e evidente que ele não vai me expulsar. Fernando Bezerra me expulsou em 2001 e perdeu a eleição para governador. Aí eu vim para o PMDB, e eu não vou sair do PMDB, independente de resultado de eleição para governador. Eu confio na vitória de Garibaldi, e eu jamais irei sair do PMDB sem motivo algum. 


DD – O V não era de Wilma, era de volta Garibaldi?

Nélter – Não houve interpretação da minha parte. A interpretação foi de Iberê que é um craque nesse tipo de malícia política, e eu lamento profundamente que ele esteja chegando a esse ponto para tentar denegrir a minha imagem e acima de tudo levantar a candidatura da candidata dele.

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