Geraldo Pinto
Terça-feira, 12 de setembro de 2006
DD – Qual é o sentimento dentro da base governista é esse mesmo? Porque a gente tem ouvido que será importantíssima a visita de Lula principalmente nesse momento em que a governadora se aproxima de seu principal adversário.
Geraldo – É isso mesmo, nós queremos fazer um comício, juntar 100 mil norte-rio-grandenses, para escutar a mensagem do presidente. Eu acho que esse é um momento de encontro do eleitorado do presidente Lula. E particularmente nós do PT estamos numa expectativa muito grande. A nossa militância que esteve tão abalada por conta dos erros de alguns dirigentes nossos, pode no reencontro com seu líder maior pode dar toda essa demonstração de carinho, de afeto que o povo potiguar tem com lugar. E ao mesmo tempo que possamos mostrar que a continuidade desse projeto para o Estado é a reeleição da governadora Wilma, é a reeleição do senador Fernando Bezerra. O senador traz junto o nosso suplente Ruy Pereira, com essa possibilidade do PT então vir a ocupar , ainda que momentaneamente, o senado federal. Então eu acho que vai ser um grande momento na política potiguar, até hoje é histórico o comício que Lula fez no Machadão, no segundo turno quatro anos atrás.
DD – Na época, em 2002, desagradou a muitos petistas, mas agora está tudo pacificado em torno da governadora Wilma de Faria, não é?
Geraldo – Não desagradou não, nós apoiamos Wilma no segundo turno. Eu particularmente fui um entusiasta de que nós estivéssemos juntos. O PT não tinha tido ainda essa experiência de trabalhar com um apoio a Wilma. Dessa vez com uma coligação há muito mais solidez, o PT amadureceu, aprendeu com os erros, e ao mesmo tempo nós tivemos uma aproximação maior, uma maior identidade entre o PT e a governadora Wilma.
DD – Já está definido o local da manifestação em torno de Lula em Natal?
Geraldo – Nós vamos fazer no largo do Machadão. Nós estamos convocando todos os nossos candidatos, toda a nossa coligação vai estar chamando no programa de TV e é assim que a população vai poder se deslocar.
DD – O fato de o PT não ter lançado candidatura majoritária faz com que o grande momento do partido na eleição estadual seja a visita de Lula?
Geraldo – Sem dúvida. Nós temos candidato sim, a nossa candidata é Wilma. O candidato do PT é a governadora. Eu acho que essa é uma nova maneira de encarar a política que o PT no Rio Grande do Norte tem. Isso é importante porque ao invés de você ter a personificação de um candidato específico nosso, nós entendemos que a governadora ocupa esse espaço político, e nós do PT tivemos maturidade suficiente para estarmos juntos, para que a gente possa marchar num caminho para o desenvolvimento do Rio Grande do Norte com um desenvolvimento solidário, sustentável e que possa ter esse casamento com um projeto maior que é o projeto do presidente Lula. O presidente vem reafirmar isso, que aqui o palanque dele é o de Wilma e do senador Fernando Bezerra, coisa que a gente tem colocado desde o início da campanha eleitoral.
DD – E como é que o senhor encara as críticas de que o PT faz um papel de coadjuvante na eleição estadual?
Geraldo – Não tem nenhuma crítica, eu acho que o PT tem um papel importante a cumprir. O papel principal é sem dúvida da governadora Wilma, não há nenhuma vergonha em dizer isso. Pelo contrário, nós estamos muito temos muito orgulho desse papel. Se pudermos ser coadjuvantes na vitória da governadora Wilma e do senador Fernando Bezerra, é bom isso. É bom porque o nosso papel principal é a reeleição do Lula, é a continuidade de um projeto político que mudou o país. Eu acho que o PT vai sair mais forte dessa eleição, vai sair com uma maior possibilidade de ajudar a governadora a governar, de contribuir com a sua linha programática. Com Lula em cima e com o PT junto com Wilma aqui o Rio Grande do Norte vai ganhar com essa parceria.
DD – O PT disse não ao PFL no palanque de Wilma, como é que o partido encara as conversas da governadora com o Tucano Geraldo Melo, líder do PSDB aqui no Rio Grande do Norte?
Geraldo – A governadora tem alianças, e tem apoios. Ela tem uma aliança conosco, com o PMN, com o PTB, com o PCdoB, com o PHS, então essa é a política de alianças. Quanto à política de apoios, apoio o Lula tem até do PSDB, o Lúcio Alcântara apóia Lula lá no Ceará. E são apoios, é distinto de aliança. Acho que isso para o PT está claro. A governadora tem que fazer movimentos que façam com que ela chegue à vitória, e nós temos particularmente estamos muito empenhados na vitória da governadora.
DD – Mas nessa questão dos apoios, o PT aceitaria por exemplo o apoio de José Agripino nessa reta final de campanha, num caso hipotético dentro desse seu raciocícnio?
Geraldo - A candidata é a governadora Wilma. José Agripino não está na aliança. É bom dizer que no segundo turno da eleição no palanque de Lula estava José Agripino, mesmo que depois ele viesse a criticar. Aliás era bom José Agripino aparecer nessa eleição porque ele não aparece pedindo votos para o senador Garibaldi. Não aparece talvez porque ao aparecer fica claro para o eleitorado, de que como ele é contra o presidente Lula, a coligação do lado de lá também é contra Lula. Então eu acredito que há nesse momento na política do Rio Grande do Norte uma coisa inédita. Se fez uma aliança do lado de lá contra a governadora Wilma, porém o candidato da aliança, que é Garibaldi, esconde o principal aliado, que é José Agripino. Estão tentando jogar pra nós, José Agripino é deles, e ele que fique pro lado de lá.
DD – Então para o PT Geraldo Melo é bem-vindo nesse momento da campanha?
Geraldo – Geraldo Melo, se declarar apoio à governadora, é bom pra campanha. O que for bom pra vitória da governadora é bom. Agora nós temos uma maneira de conceber o Rio Grande do Norte, o Estado, a democracia, totalmente distinta de Geraldo Melo. Quais são os interesses eleitorais dele, isso é uma discussão que o povo vai ter que avaliar. O nosso candidato é Fernando Bezerra, nós vamos marchar rumo à vitória dele e de Wilma. Para nós a chapa completa é Lula, Wilma e Fernando.
DD – E se no acordo da governadora com Geraldo tiver algum compromisso para que Geraldo atue no próximo governo, como é que ficará o PT?
Geraldo – Isso é uma discussão da governadora, primeiro queremos ganhar a eleição. O momento agora é de ganhar a eleição e depois nós discutimos o governo. O momento agora é de chegarmos à vitória no dia 1º de outubro e comemorarmos. Depois nós vamos sentar e ter maturidade o suficiente para compor o governo.