Garibaldi Alves Filho

Segunda-feira, 23 de outubro de 2006

DD – Em primeiro lugar, eu queria saber se o senhor acredita no resultado da pesquisa do Ibope? E, em segundo lugar, se isso o desanima nessa reta final da campanha?

Garibaldi – De jeito nenhum. Eu não posso desanimar se ninguém desanimou, se a militância está na rua, se o povo continua na rua também. Até porque eu não acredito nos números dessa pesquisa, não venha acusar o Ibope de manipular pesquisas, é que eu acho que o instituto também pode errar. Isso já se tornou até folclórico na política, casos de erros de pesquisa. Inclusive o Ibope deu a vitória de Fernando Bezerra, e no outro dia Rosalba ganhava nas urnas. 


DD – É, mas só para relembrar, a última pesquisa do Ibope antes da eleição deu um empate técnico rigoroso tanto para o governo quanto para o senado.

Garibaldi – Eu quero pegar esse gancho justamente para dizer isso. O maior fator de descrença nessa pesquisa é a eleição ter sido disputada assim voto a voto no primeiro turno, e depois, sem o aparecimento de fatos novos, de repente de menos de 1% de diferença se passar para 7 pontos. Então o Ibope que me perdoe mas não dá pra acreditar não. 


DD – E qual a sua expectativa em relação a José Adécio?

Garibaldi – A minha expectativa é muito positiva, a conversa que tive com ele foi muito boa. Eu só tenho motivos, até pela correção dele no primeiro turno, como ele trabalhou em prol da minha candidatura, eu só tenho motivos para esperar que no pronunciamento dele ele volte a apoiar a minha candidatura. 


DD – A gente sabe que a aliança PMDB – PFL enfrentou alguns problemas em alguns locais. Pedro Avelino foi um exemplo. Não seria aí uma grande oportunidade para p PMDB e o PFL selarem essa aliança que vocês dizem que é pro futuro?

Garibaldi – Eu acho, Diógenes, e acho que Pedro Avelino é emblemático de que uma situação municipal prevaleceu inteiramente sobre a sucessão estadual. Isso a gente já viu no único comício que fizemos até agora, quando houve dificuldade, turbulência, algumas pessoas quiseram perturbar o comício. Eu não esperava isso pelo fato de ser eu o candidato a governador e de ter uma relação muito afetiva com as pessoas de Pedro Avelino. Meu pai sempre teve lá essa liderança política. 


DD – Passado o primeiro turno, o senhor faz que avaliação sobre a aliança com o PFL? Foi uma decisão correta?

Garibaldi – Foi a decisão mais correta e você pode ter uma avaliação disso pela eleição de Rosalba. Ela foi uma candidata da coligação, nós fizemos tudo pela sua eleição, pedimos o voto casado... 


DD – Mas é isso que eu quero perguntar, essa aliança não favoreceu mais ao PFL do que ap PMDB?


Garibaldi – Não tem nada disso, não. A pergunta é muito natural que você faça porque até agora só foi eleita a candidata do PFL. Ta faltando a eleição do candidato do PMDB no contexto da aliança. Então na verdade o PFL se empenhou bastante e o que nós temos visto não é bem isso. É que por força da atuação da Governadora, usando a máquina administrativa pra valer, ela a gente tem que reconhecer, até o próprio senador José Agripino reconhece, ela levou muitos correligionários, companheiros de lutas do senador José Agripino e militantes do quadro do PFL. Prefeitos, vereadores, ela inclusive segurou, não deixou nem que José Agripino chegasse perto por conta do uso da máquina. Mas o PFl eu acho que foi algo de caça às bruxas muito grande. Mas eu continuo dizendo, a aliança era necessária, vai prevalecer e nós vamos ganhar a eleição. 


DD – Geraldo Melo anunciou apoio a Wilma, e segundo ele um dos motivos que o levou a tomar essa decisão, foi que o senhor ter fechado as portas para qualquer conversa com Geraldo no segundo turno.

Garibaldi - Não houve isso, não. Na verdade, conversando na noite da apuração, quando você e Alex começaram a perguntar sobre as dificuldades de relacionamento com Geraldo Melo, eu reconheci essas dificuldades e Alex perguntou “e as portas estão fechadas?” e eu disse que achava que no momento as portas estavam fechadas.
 

DD – Então o senhor não estava fechando as portas para ele, o senhor apenas não via condições de diálogo ...

Garibaldi – Exatamente. Mas veja bem, passado o primeiro turno, o segundo turno era outra realidade. Eu pensei que nós teríamos essa chance de dialogar por conta da eleição presidencial até, mas ela não houve, foi isso que aconteceu. 


DD – Em relação à campanha presidencial, muito se pergunta quem é que Garibaldi está apoiando para presidente

Garibaldi – Ninguém. Eu estou neutro e no palanque existe uma neutralidade não só minha mas de todos os componentes da aliança.
 

DD – Henrique Alves disse que vota em Lula...

Garibaldi – É , ele vota em Lula mas está respeitando, não chega a pedir voto. As outras lideranças também estão compreendendo essa posição. Porque Nélio Dias também apóia Lula, José Agripino apóia Alckmin. Eu voto em Alckmin, mas não estou apoiando, minha posição é neutra no palanque. 


DD – A gente vê na campanha do rádio e da TV muitos questionamentos a respeito do dinheiro da venda da Cosern. No último sábado o seu programa detalhou todos os gastos destes recursos, o senhor acha que a questão da Cosern está explicada?

Garibaldi – Bem, eu acho que está. Em respeito aos que acham que não está, é que nós divulgamos aquilo, que eu acho que é muito pouca gente. Agora o que há é uma exploração por parte da propaganda dos adversários, que eles não tem mais o que falar, esgotaram tudo, aí como disse um militante nosso, eles falam na Cosern de manhã de tarde e de noite. 


DD – Uma coisa que se nota é que o debate ético não foi usado nessa campanha. O que é que aconteceu? Foi uma estratégia da sua campanha, ou da campanha adversária? Porque que alguns escândalos não foram tratados na propaganda eleitoral?

Garibaldi – Eu acho que ninguém deve abrir mão desse dever cívico, de se indignar com as coisas, de procurar se aprofundar, mas eu acho que houve um certo desânimo. 



DD – Mas a campanha não serve para isso? Para apresentar propostas e apontar eventuais erros do adversário? Por que é que vocês não trilharam esse caminho?

Garibaldi – Porque eu acho que no plano nacional esse caminho não deu resultado. Você tem que procurar o resultado eleitoral.


DD – No segundo turno ocorreu por conta da historia do dossiê...

Garibaldi – Sim mas cadê o reflexo na candidatura do presidente Lula? Parece até que aumentou a vantagem dele. 


DD – Então quer dizer que não falar em Foliaduto, em Ouro Negro, em escândalos do atual governo foi uma decisão acertada da sua campanha?

Garibaldi – Não, não foi uma decisão acertada. Primeiro porque quem deve comandar tudo isso é o candidato. Eu não sou agressivo, você sabe que eu não tomo muita iniciativa.
 

DD – Mas no inicio da campanha quando a Governadora falou sobre desvios no Programa do Leite, o senhor foi à televisão fazer um alerta sobre essa questão da denuncia...

Garibaldi – Fiz, e eu vou dizer uma coisa. Se quiserem fazer nesse final de campanha uma campanha nesse tom, eu também vou aumentar o tom. Eu não gosto de olho por olho dente por dente não, é uma coisa de uma violência sem par. Não condiz com meu estilo não, mas se quiserem eu topo. 


DD – O seu primeiro governo foi marcado principalmente pelo programa das adutoras. Qual vai ser a marca do Governo Garibaldi caso vença no próximo domingo?

Garibaldi – Vai ser o saneamento, que o problema que mais nos impressiona, mais nos choca, mais desafia qualquer candidato. É ver hoje as cidades do Rio Grande do Norte sem esgotamento sanitário com aquela água fétida comprometendo a saúde da população. Nós temos evidentemente outras metas, mas nós vamos nos dedicar muito a isso. 


DD – E a questão da educação?

Garibaldi – A educação principalmente, que fez com que o Rio Grande do Norte se tornasse um exemplo negativo para todo o Brasil. A pior educação do Brasil segundo essa avaliação do MEC em todos os Estados do país através da Prova Brasil. 


DD - Na área de infra-estrutura qual será sua prioridade? O Aeroporto de São Gonçalo, o que mais?

Garibaldi – Na área de infra-estrutura não há um projeto que faça decolar mais o desenvolvimento do Estado do que o aeroporto de São Gonçalo. Nós estamos preocupados a esta altura, porque até mesmo com relação à Ponte Forte-Redinha, não há os acessos. Os acessos não estão devidamente projetados e tudo ali faz parte daquele complexo que vai permitir que o Rio Grande do Norte tenha ali um centro propulsor da sua economia. 


DD – O Rio Grande do Norte poderá ter um novo porto?

Garibaldi – Poderá sem duvida nenhuma, porque esse porto de Natal sempre nos trouxe muitas limitações. Mas isso ainda vai ser bastante discutido e aprofundado. 


DD – lamentavelmente o fim de semana foi marcado por agressões entre Garibaldistas e Wilmistas em algumas avenidas de Natal. Inclusive uma cunhada do senhor estaria envolvida nessa confusão, o que o senhor tem a dizer a respeito dessas agressões principalmente nessa reta final de campanha?

Garibaldi – Eu acho lamentável o que aconteceu e creio que os comandos das candidaturas deveriam tomar providencias com relação à militância que eles colocam nas ruas. Com relação ao fato de que pessoas muitas vezes despreparadas, sem compreender que aquilo ali é uma disputa política, apelam para a violência como se aquilo dali fosse uma guerra. Isso não pode acontecer, eu faço um apelo daqui ao comando da campanha adversária, inclusive à própria governadora para que possamos evitar isso aí. 


DD – O vereador Renato Dantas, um dos coordenadores da sua campanha acusa a campanha adversária de ter provocado e incentivado as agressões. Por outro lado, Rogério Marinho, um dos coordenadores da campanha governista, diz que a oposição é que está querendo criar um factóide, querendo criar um cadáver nessa reta final da campanha. O que o senhor tem a dizer?

Garibaldi – Eu acho que Rogério Marinho que está aí deputado federal eleito, não foi muito feliz nessa declaração. Essa historia de cadáver, isso não existe. Nos estamos tentando ganhar a eleição como eles estão também. Deve-se até evitar de dizer essas coisas para não criar esse clima de acirramento. Isso é profundamente lamentável e não ganha eleição em lugar nenhum.