Rio Grande do Norte, 21 de novembro de 2008

Wilma de Faria

DD – Na última sexta-feira o Ibope lhe deu 7 pontos de vantagem nessa reta final do segundo turno. Hoje o Diário de Natal traz pesquisa do Vox Populi apontando uma vantagem de 14 pontos. Essas pesquisas criam um clima de “já ganhou” na campanha da senhora?

Wilma – Não. Eu estou orientando a nossa militância, o nosso eleitorado, mostrando que a nossa situação é excelente, a gente vê isso não só pelas pesquisas, que têm uma metodologia, são pesquisas cientificas, e a gente acredita e todas elas. Mas o que eu vejo nas ruas, pelo brilho no olhar, pela forma como a gente é abordada nas ruas, pelo carinho, com certeza nossa campanha está indo muito bem. Mas o clima de “já ganhou” não existe, nós vamos trabalhar até a última hora, até o último voto que vai entrar na urna. 


DD – No primeiro turno houve uma diferença no número de votos muito pequena entre a senhora e Garibaldi. Porque agora no segundo turno uma vantagem tão mais expressiva? Que avaliação a senhora faz da sua campanha no segundo turno?

Wilma – Nós começamos a campanha no primeiro turno crescendo, e esse crescimento continuou. Terminou o primeiro turno e a gente continuou crescendo. Então isso é uma coisa muito boa porque esse crescimento veio em função justamente da comparação, das propostas, daquilo que a gente tava fazendo. Então a população começou a avaliar, é o programa de desenvolvimento solidário, o programa de habitação, o programa de estradas que está sendo concluído, porque o governo não pára. O governo está fazendo as obras estruturantes e as obras sociais, e são essas obras que fizemos nesse período que fez com que nós crescêssemos. Quando nós começamos essa campanha, você deve se lembrar, existiam pesquisas que diziam que estávamos 25 pontos abaixo do nosso adversário, e nós fomos exatamente revertendo essa situação. Porque todas as pesquisas diziam, e continuam a dizer, que a nossa avaliação de governo é ótima. 


DD – Então o governo era bem avaliado, mas a candidata não era bem avaliada?

Wilma – Não, o governo era bem avaliado e a candidata também, mas isso não estava sendo revertido para os votos, para a questão eleitoral. Então essa avaliação positiva começou a reverter os votos. Hoje a minha aprovação de governo está de acordo com a minha aprovação eleitoral. 


DD – O palanque da senhora mudou um pouco nesse segundo turno. Qual é a avaliação que a senhora faz dos apoios que recebeu no segundo turno?

Wilma – Agora no segundo turno a gente teve o apoio do senador Geraldo Melo, e alem dele vários prefeitos ligados a ele. Tivemos também outros apoios como os prefeitos de Pedro Avelino e de Bom Jesus entre outros, e de vários municípios, que não concordavam com a metodologia do candidato Garibaldi. Então houve um crescimento da nossa candidatura. As pessoas, mesmo as que estavam do outro lado, fizeram essa reflexão e resolveram nos apoiar.
 

DD – No caso do senador Geraldo Melo, existe algum compromisso de participação dele num eventual segundo governo da senhora? Eu pergunto isso por conta do PT.
 
Wilma – Não, nós não temos com nenhum partido definido essa historia de quem vai ocupar o que, quais são os espaços que vão ocupar. Até porque o senador Geraldo Melo não tratou sobre este assunto. Ele fez uma opção, está muito magoado em função de tudo que foi feito com ele, ele se sente traído pelo grupo que antes se aliou. Então ele resolveu nos apoiar em função do nosso governo, das nossas propostas, e também em função dessa magoa que existe e foi uma coisa muito forte, e ele não tinha como voltar para um grupo que praticamente o expulsou. E nós continuamos, eu tenho dito à nossa militância que precisamos de muita calma... 


DD – Tivemos cenas de violência em Natal e em Mossoró nesse final de semana...

Wilma – É porque nossos adversários justamente por estarem perdendo estão com os ânimos exaltadíssimos. Então nós que estamos ganhando, pelas pesquisas e pelo que a gente vê nas ruas, a gente tem que ter mais calma, tem que ter grandeza, tem quem ter humildade, é isso que eu tenho procurado colocar para o nosso povo, para a nossa militância, o nosso partido. Não adianta querer nos provocar porque eu não vou aceitar, a nossa preocupação é fazer uma campanha em paz, propositiva como a gente tem feito, uma campanha em favor do povo. E o povo não quer essa campanha de agressões, de acusações. 


DD – Falando em acusações, ontem o JH 1º edição publicou uma entrevista do empresário Fabiano Motta , um dos envolvidos no escândalo do Foliaduto. E ele poderá ser obrigado pela justiça a ressarcir R$ 2 milhões que foi o dinheiro desviado da fundação. E ele diz que quem tem que devolver o dinheiro é a governadora Wilma de Faria que foi a principal beneficiada. O que a senhora tem a dizer a respeito dessas acusações? 


Wilma – O que eu sempre disse. Em toda a minha vida pública, qualquer coisa que tenha acontecido de errado na minha administração, eu afastei os culpados. Os culpados a gente ainda não sabe, a justiça que vai dizer porque tem muita gente inocente e e éa justiça que vai dizer isso. Eu sempre fui muito firme, sempre fui muito determinada em relação à essa questão. Nunca aceitei e sempre tomei as posições necessárias. Então eu não vou ficar discutindo porque eu sei que isso as pessoas querem requentar e eu sei que deve ter muita gente da oposição por trás disso, e eu não vou falar sobre esse assunto. 



DD – A senhora não teme nenhum tipo de declaração do empresário nem à imprensa nem ao Ministério Público?

Wilma – Não tenho a menor preocupação com essa questão. Eu estou muito tranqüila, a minha vida pública sempre foi de muita honestidade e de muito preocupação e zelo pelo serviço público. Essa é a minha história. 


DD – Governadora, qual é a marca do seu primeiro mandato?

Wilma – Nós temos feitos três obras estruturadoras importantes. As estradas, que entre estradas novas e reconstruídas até o final do ano serão quase 1.500 Km de estradas. As pontes, que quando eu falo da Ponte Forte-Redinha eu não falo somente de uma solução para o transito e para a integração da Zona Norte com o centro da cidade, que também é uma meta importantíssima que vai ser atingida. A ponte é importante para o transito mas é importante principalmente para geração de emprego e renda para 16 municípios do Pólo Costa das Dunas. Nos acreditamos que podemos gerar nos próximos anos, cerca de 90 mil empregos com a ponte e outros projetos para o turismo no Rio Grande do Norte. 


DD – E a ponte será concluída mesmo ainda este ano?

Wilma – Este ano. No final dezembro nós deveremos entregar a ponte, foi o que as empresas já disseram e já garantiram. Agora estão sendo colocados os estaios que vão sustentar a parte final que está sendo construída. 


DD – E a ponte de Jucurutu?

Wilma – A ponte de Jucurutu é uma ponte importante também, sobre o rio piranhas, que vai resolver o problema sério ali naquela região, na Br 226, também é uma obra muito importante. Além das pontes temos as casas. O programa de casas populares que gerou muito emprego também na construção civil. Por isso que nós fomos durante dois anos consecutivos o Estado que mais gerou emprego com carteira assinada segundo dados do Ministério do Trabalho. Alias também em relação à renda domiciliar, dados do Pinad dizem que o Rio Grande do Norte foi o Estado que mais cresceu a renda em 2004 e 2005. Nós construímos as centrais do trabalhador para aqueles que estavam desempregados e precisavam de um emprego e de uma assistência psicológica e qualificação. Já implantamos sete centrais do trabalhador pretendemos no próximo governo mais 10 centrais. As casas de cultura também são um trabalho importantíssimo gerando emprego e renda através da cultura. 


DD – Quem tem assistido a propaganda eleitoral, tem acompanhado o debate em torno dos recursos da venda da Cosern. O candidato Garibaldi disse aqui no Jornal 96, que o que tinha que explicar sobre o destino dos recursos já explicou. Detalhou inclusive os números, e que também na época em que a senhora era prefeita de Natal também foi favorecida com o dinheiro. Está explicada para a senhora a venda da Cosern governadora?

Wilma - Não. A venda da Cosern foi um erro. Inclusive eu fui um dos poucos políticos que foi para a porta da Cosern me pronunciar publicamente contra a venda da empresa. E na verdade nossa cidade não foi beneficiada com nenhum investimento, ou pelo menos eu não tenho conhecimento de nenhum investimento importante, significativo da venda da Cosern. Para se ter uma idéia, na área de segurança de saúde e de turismo, áreas super importantes, de acordo com a prestação de contas dele só foi investido 2,5% dos recursos para essas três áreas. Educação foi quase nada também que se investiu. Então isso não está explicado nem está certo. O investimento não foi transparente nem foi bem feito. E a venda da Cosern representou um recurso de R$ 1,5 bilhões, é muito dinheiro. E a gente tem que comparar os oito anos de governo de Garibaldi, com a venda da Cosern, que significou um volume muito grande de recursos para investimentos. Totalmente diferente do nosso governo que só foram três anos e nove meses , sem nenhum recurso extra como esse da Cosern. 


DD – É por isso que a senhora tem batido na tecla de que governou sem vender nenhum patrimônio publico?

Wilma – É, e do jeito que Garibaldi justifica venda da Cosern, ele pode vender a Caern. Eu tenho o compromisso de não privatizar nada. Aliás a Caern poderia ter sido privatizada caso eu como prefeita não tivesse feito a lei que impedido a privatização. E como governadora eu tenho um compromisso com a população, e todo mundo sabe que é verdadeiro porque eu sou totalmente contra a privatização. 


DD – Caso a senhora vença no domingo, qual será o maior derrotado dessa eleição?

Wilma – O acordão entre PFL e PMDB. Se quis evitar a vitória em 2002 e a continuação do nosso trabalho em 2006, e o povo não aceitou. O povo quer exatamente que nós continuemos, e que não haja retrocesso. O povo fez a avaliação e quer o avanço. 


DD – E sobre a parceria com o Governo Lula, a senhora como aliada ficou satisfeita com essa parceira no primeiro mandato?

Wilma – A parceria com o presidente Lula é muito boa, embora a gente só tenha solidificado essa parceria agora no final do governo, porque o presidente também teve as mesmas dificuldades que eu tive. Orçamento deficitário, governo desarrumado, problemas com os servidores, dívidas e mais dívidas. Então o governo teve que ser arrumado primeiro para depois explodir em obras, em ações em programas. Nosso governo foi referencia na área de agricultura, teve um crescimento muito grande na área do emprego, do turismo, da renda... 


DD – Os seus adversários falam muito em perdas. Quando se fala na perda da refinaria a senhora acha que foi realmente uma perda, ou foi a contingência de um momento político que fez com que o Estado não ganhasse a refinaria?

Wilma – As perdas que nós tivemos foram nos governos passados. Garibaldi nunca se preocupou em fazer com que o porto fosse uma realidade, ele tinha o apoio do governo federal e todos os deputados eram do seu grupo, e ele perdeu tudo que podia perder. As ferrovias foram desativadas no governo dele. No governo de José Agripino ele vendeu o restante da ferrovia como ferro velho, ele nunca se preocupou em fazer um plano para que um porto pudesse ser colocado aqui no Rio Grande do Norte, porque esse é o problema principal que nós temos hoje. Já estamos tratando esse assunto e o presidente Lula sabe disso, ele tem compromisso conosco tanto no Aeroporto de São Gonçalo na parceria público privada que vai ser a primeira aqui do Nordeste. Há interesses de grupos nacionais e internacionais. O compromisso que o Governo Federal tem conosco é que o edital saia ainda esse ano.
 

DD – Então as perdas são do lado de lá?

Wilma – As perdas nós tivemos no passado, eu estou resgatando e evitando essas perdas. Com a ferrovia que nós queremos trazer pra cá, para ligar Mossoró a Natal via Macau. Nós estamos vendo também a ampliação do Porto Ilha de Areia Branca. Então eu confio muito que a gente possa mudar o Rio Grande do Norte a partir desses investimentos. Com o aeroporto de São Gonçalo nós teremos 30 mil empregos gerados. Então nós não tivemos perdas. Houve perdas evidentemente de quem não se preocupou com isso. O que foi de importante com esse dinheiro da Cosern que foi feito aqui no Estado? O programa de adutoras não dá para ser comparado com o programa de adutoras do meu governo, nós fizemos 530 Km de adutoras em 3 anos e meio, levando água para 27 cidades e 350 comunidades rurais. Então o que é que foi feito de importante com esse dinheiro da Cosern? Eu vejo que eles não usaram para ivestir na saúde, nem educação, nem na área de portos e aeroportos. Com cinco anos de conclusão o aeroporto não tem mais condições de atender ao numero de passageiros. Então nós temos que reprogramar tudo isso porque o Rio Grande do Norte cresceu e se desenvolveu.

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