Rio Grande do Norte, 21 de novembro de 2008

Raniere Barbosa

Ele já foi apontado como pré-candidato a vereador. Depois, passou a ser cogitado como postulante a uma vaga na chapa de um dos candidatos a prefeito de Natal, como candidato a vice. Por fim, há quem garanta que ele está sendo preparado mesmo é para encabeçar uma chapa majoritária da sucessão natalense.

Não há um dia em que o secretário municipal de Serviços Urbanos, Raniere Barbosa, não seja questionado sobre o seu futuro político. E a resposta é sempre a mesma: nem ele sabe. Presidente municipal do PRB, Raniere explica que seu posicionamento na eleição de Natal, este ano, depende exclusivamente da decisão do prefeito Carlos Eduardo. E como Carlos Eduardo insiste em só tratar de eleição a partir de maio...

Diante de tantas incertezas, Raniere Barbosa tem algumas convicções. Uma delas: considera-se credenciado a pleitear um mandato eletivo, em função do trabalho que vem realizando à frente da Semsur. Outra: credenciado também, na sua opinião, está o prefeito Carlos Eduardo, mas a alçar vôos maiores. Especificamente, em 2010, na disputa pelo Governo do Estado.

“Quem já fez e está fazendo muito por Natal também pode fazer muito pelo Estado”, justifica o secretário de Serviços Urbanos, nesta entrevista concedida ao programa Jornal 96 e ao portal Nominuto.com. A seguir, os principais trechos da entrevista:

Nominuto - O senhor vem há algum tempo sendo cogitado para se lançar candidato nas eleições de 2008. A imprensa já noticiou que o senhor poderia ser candidato a vereador. Seu nome também é sempre citado em uma possível composição onde o prefeito indica um nome e o senhor poderia ser vice de alguma das candidaturas à Prefeitura de Natal. E, recentemente, um grupo de filiados do seu partido, o PRB, defendeu sua candidatura a prefeito de Natal. O senhor se coloca nessa disputa?

Raniere Barbosa — Na verdade, é muito interessante essa pergunta e faço questão de dividi-la em dois momentos. O primeiro momento é que eu nunca me lancei candidato e muito menos o prefeito Carlos Eduardo me lançou candidato. Essas especulações surgiram das ruas, surgiram espontaneamente na imprensa. Acredito que é o trabalho que foi desenvolvido de forma um pouco mais aguerrida e as pessoas viram um choque de gestão: em um ano, muitas obras. Foram mais de 150 obras entregues a Natal através da Semsur. Isso realmente trouxe um retorno de imagem política e as pessoas começaram a analisar que quem está trabalhando poderá capitalizar um espaço político. Na verdade, eu vejo na gestão do prefeito Carlos Eduardo que em nenhum momento ele tem feito campanha para pleitear um vôo mais alto ao Governo do Estado, mas as ruas hoje já dizem, pela gestão que ele tem, que ele está credenciado e habilitado ao governo em 2010. E eu vejo que quem fez muito e está fazendo muito por Natal pode fazer muito pelo Estado. Então, isso é o que se escuta muito nas ruas, também de uma forma espontânea. E o partido que hoje eu estou tentando organizar foi o partido que mais filiou em Natal — tem mais de 100 diretórios no Estado —, está um partido 'bem organizado.

NM — Há quem queira que o seu nome seja colocado na cesta de candidatos de apoio ao prefeito e inclusive pedem que você seja avaliado nas próximas pesquisas...

RB — Isso é verdade e surgiu de alguns membros da executiva do partido, o que é legítimo. Eu acho normal, mas eu volto a insistir, porque inclusive o prefeito Carlos Eduardo, na reunião do Secretariado semana passada, insistentemente voltou a pedir o empenho e a maturidade de todos os seus secretários para, primeiro, não discutir política; segundo, ninguém está autorizado a falar em sucessão. Se ele não está discutindo, como é que os secretários vão discutir? Terceiro, o que o povo quer é o que ele tem feito: é administrar a cidade, fazer com que essas obras aconteçam. Grandes obras estão em andamento, a própria Semsur está ai com o Mercado Modelo das Rocas, estamos ai com várias praças como no Mirassol, em Ponta Negra, no CTG, e por ai vai. Várias feiras novas que estamos implementando... É isso que o prefeito quer, que se dediquem plenamente à administração porque é isso que a população está pedindo.

NM — Mas estamos em um ano eleitoral e com certeza as eleições serão o assunto em pauta não só da população, mas de quem acompanha a cena política. Nos bastidores políticos, comenta-se que o PRB seria um partido que poderá até abrigar uma possível filiação do prefeito Carlos Eduardo no caso de alguma ruptura política, afastamento definitivo dos atuais aliados que ele tem. Eu pergunto: o PRB poderá abrigar um dia o prefeito Carlos Eduardo Alves?

RB — Primeiro, eu desconheço esse rompimento e, segundo, qualquer partido estaria apto e legítimo a receber, eu acredito, hoje, uma das maiores lideranças do Estado e a maior liderança da capital potiguar, que é o prefeito Carlos Eduardo.

NM — E como fica essa questão das alianças dentro da base do prefeito? A gente vê o PSB aliado a outros partidos e o lançamento de quatro, cinco pré-candidaturas. O PRB está acompanhando isso, essa questão das alianças com vista à sucessão de Carlos Eduardo?

RB — Alianças políticas são legítimas dentro de uma democracia e nós temos observado que todas elas, nesse momento atual, são pertinentes. Acho que cada um quer ocupar seu espaço, cada um quer lançar seus pré-candidatos e tem bons nomes que estão aí expostos. E é isso que eu acho que a dinâmica da política está mudando porque o tipo de gestão que o prefeito Carlos Eduardo implantou em Natal foi o grande diferencial. Ele não priorizou em nenhum momento a política, a começar pelo seu Secretariado, que todos são técnicos, nenhum é político, a começar por mim.

NM — Mas o exercício da Secretaria não deixa de ser o exercício de um cargo público e político...

RB — A partir do momento em que não somos concursados, estamos em cargos de confiança, já estamos realizando uma ação política. Mas esse tipo de gestão que não tem o foco político e tem o foco administrativo, a exemplo que o prefeito hoje não quer antecipar o processo sucessório, isso mostra um amadurecimento.

NM — Mas ele tem conversado com os aliados, não é?

RB — Não sobre política. É isso que a imprensa está questionando, querendo buscar informações. Ele tem sempre conversado insistentemente sobre as emendas, sobre os projetos, sobre administração e não sobre política. Quando entra no foco a política, o prefeito pede que mude de assunto.

NM — Por falar em emendas, o prefeito Carlos Eduardo tem tido a sorte de ter uma conjuntura nacional que o favorece. Vem verba de Brasília, tem os convênios em parceria com o Governo do Estado e as próprias condições da Prefeitura de Natal. Então, ele tem aí uma gama de recursos, inclusive para realizar essas obras que estão a cargo da sua Secretaria. Os jornais da cidade noticiaram que a deputada Fátima Bezerra tem cobrado o apoio político ao projeto do PT, por conta dessas verbas federais. Como é que a administração de Carlos Eduardo encara esse tipo de cobrança da deputada Fátima Bezerra? Segundo ela, muitas obras que o prefeito tem realizado são por conta da verba do governo federal.

RB — A deputada tem sido uma grande parceira, como também o senador Garibaldi tem sido um grande parceiro, como o próprio deputado Rogério Marinho e eu não vou aqui questionar a deputada, que foi realmente uma grande parceira e tem sido. Eu vejo da seguinte forma: o governo está extremamente equilibrado e bem saneado. Para você poder captar recurso, tem que ter bons projetos. Primeiro, o governo teve que estar equilibrado financeiramente. Segundo, teve que ter bom planejamento para poder apresentar e capitalizar recursos, porque você não vai fazer isso apenas através de emendas porque as emendas têm limite. Se formos analisar as emendas, tem R$ 10 milhões a R$ 20 milhões, enquanto tem R$ 900 milhões investidos, é um volume muito grande. Então, o governo federal realmente é parceiro, o governo estadual é parceiro, a bancada é parceira.

NM — Mas cabe a cobrança política?

RB — Eu vejo, na minha ótica pessoal, que nunca se deve cobrar nada. Eu acho que a espontaneidade deve sempre ser preservada. É o mesmo que você cobrar de um amigo a sua amizade. Eu acho que é justo alguém ter o direito de cobrar. Mas eu vejo sob outra ótica, porque a pior coisa que tem é você estar muitas vezes fazendo moeda de troca. E eu vejo que a deputada, em nenhum momento, em encontros que teve com o prefeito, nunca cobrou. Eu fui testemunha de várias audiências ao lado da deputada, acompanhando inclusive o prefeito em Brasília ao lado da deputada, e ela nunca fez nenhuma cobrança. Eu fico até surpreso com esse comentário.

NM — Alguns políticos e líderes de partido têm se colocado nas eleições municipais deste ano de olho em 2010. O deputado Robinson Faria, por exemplo, tem dado declarações de que os apoios que serão dados este ano levarão em conta a reciprocidade em 2010. E a gente tem informações de que o prefeito Carlos Eduardo, em suas decisões sobre um nome a apoiar em Natal — e poderá ser até o do partido dele, o deputado Rogério Marinho —, também vai colocar essa questão da reciprocidade em 2010. Carlos Eduardo poderá levar isso ou já levou a Rogério Marinho essa questão da reciprocidade?

RB — Ele não levou a ninguém porque ele não discutiu. Agora, eu vejo, dentro da minha visão política, que ele terá que ter esse tipo de conduta, porque se ele vai dar o apoio a um candidato, com certeza esse candidato terá que ter reciprocidade a ele no futuro. Isso é lógico, jamais ele iria dar um apoio simplesmente por dar. Ele dá apoio a uma administração bem avaliada.

NM — O prefeito não vai a reboque de nenhum líder político nas eleições deste ano?

RB — Não. Eu acho que o prefeito conquistou um espaço único na cidade. Ele, na verdade, entrou com um estilo de política diferenciado. Não é aquele político demagogo, populista, carismático. Ele deixou um legado de obras. Eu vi muitas vezes as pessoas comentarem que jogaram pedras no prefeito Carlos Eduardo na campanha de 2004, e eu o vi pegar todas essas pedras e edificar inúmeras obras. Ele não revidou as pedras, ele fez inúmeras obras, e isto foi o diferencial que reflete nessa popularidade. Eu fiquei impressionado e queria dar um registro testemunhal do que eu vi nesses cinco dias de Carnaval, que eu acompanhei o prefeito de quinta a terça-feira, as pessoas saindo de suas casas para abraçar, tirar fotografias e gritando "governador, governador". Isso é um teste de popularidade. Muitas vezes andei ao lado de políticos durante a coordenação de campanhas e a população vinha para cobrar, e não para elogiar.

NM — O prefeito Carlos Eduardo não teme ficar dois anos “ao relento”, sem mandato? O senhor acha que a obra dele vai ser lembrada?

RB — Esse fato, indiscutivelmente, não deixa de ser prejudicial. Mas quando se tem um legado de obras como as que o prefeito Carlos Eduardo está edificando nesta cidade, sem desmerecer nenhum dos grandes prefeitos que Natal teve, ele (Carlos Eduardo) teve três vezes mais ao alcance de fazer grandes obras edificantes e que vão ficar marcadas nessa gestão. Mas não só isso, há obras sociais importantes que com certeza vão ter continuidade em outras gestões. O que eu quero dizer, e digo com maturidade e com segurança, esse ato vai ficar na história de Natal. Vai ficar na história porque o natalense, a população como um todo, quer isso, quer resultado, quer ação e quer atitude.

NM — O senhor, que está mais perto do prefeito Carlos Eduardo, vê que ele está mais perto de lançar um nome para prefeito de Natal ou de indicar um vice dentro de uma composição com os aliados?

RB — É difícil responder isso, porque o prefeito não conversa política conosco.

NM — Mas qual o seu sentimento, o que diz seu feeling?

RB — O meu feeling, eu vou lhe dizer com sinceridade: diz que ele vai fazer a melhor gestão dessa cidade.

NM — O senhor se coloca como “o vice de todos”?

RB — Não. Nunca me coloquei e não me coloco, pois acredito que eu estou muito bem fazendo esse trabalho e é isso que eu vejo. Se, porventura, eu sair candidato a algum mandato nessas eleições, eu acho que vai ser uma conseqüência. Mas, na verdade, o que eu tenho que me preocupar é em dar continuidade a essas obras que a secretaria (Semsur) está fazendo, muitas que estão em execução.

NM — Se o senhor tivesse que escolher o que está mais próximo ao seu perfil, seria o legislativo ou o administrativo?

RB — Administrativo, indiscutivelmente. Todo mundo que me conhece sabe que eu não tenho esse perfil de legislativo. Poderei até um dia ter ou adquiri-lo, mas o meu perfil é administrativo. Minha educação foi na iniciativa privada, o que me faz uma pessoa de planejar e executar, ter metas e resultados. Essa é a minha natureza.

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