Política
18/09/2026
O candidato ao Governo do Rio Grande do Norte Allyson Bezerra (União) afirmou nesta quinta-feira (17) que pediu à Justiça a retirada integral do sigilo da Operação Mederi. Ele negou envolvimento nas irregularidades investigadas e disse que, mais de sete meses após a operação, não foi apresentada prova contra ele.
“Já se passaram mais de sete meses. O que se conseguiu comprovar e provar? Nada. Por quê? Porque não existe. Não existe e nunca existiu”, declarou.
Deflagrada em 27 de janeiro, a operação investiga suspeitas de fraude em licitações, corrupção, lavagem de dinheiro e desvio de recursos destinados à compra de medicamentos por municípios potiguares, entre eles Mossoró. A investigação estima prejuízo de R$ 13 milhões e analisa possíveis casos de sobrepreço, aquisição de medicamentos próximos do vencimento e entrega parcial ou inexistente de produtos.
Allyson era prefeito de Mossoró quando a operação foi deflagrada e foi alvo de mandado de busca e apreensão. Na residência dele, agentes recolheram um celular, um notebook e dois HDs pessoais.
“Eu posso lhe dizer que o meu celular está aberto e à disposição da Justiça”, disse. O candidato também afirmou ter solicitado que o processo e as informações extraídas dos equipamentos fossem tornados públicos.
“Eu pedi que o meu celular, que todas as informações fossem tornadas públicas. Por que eu pedi isso? Com a certeza de quem não deve, não teme”, afirmou. Segundo ele, os advogados apresentaram o pedido de retirada do sigilo logo após a operação.
A investigação ganhou repercussão após a Polícia Federal identificar diálogos entre sócios da Dismed Distribuidora de Medicamentos com menções a uma suposta divisão de valores relacionada à Prefeitura de Mossoró. Em uma conversa chamada pelos interlocutores de “Matemática de Mossoró”, um dos empresários cita percentuais atribuídos a “Allyson” e a uma pessoa identificada como “Fátima”.
A Polícia Federal interpretou a referência a “Allyson” como sendo o então prefeito. A interpretação é contestada pelo candidato, que também afirmou que os procedimentos da Prefeitura de Mossoró são passíveis de auditoria.
“Todos os atos da Prefeitura Municipal de Mossoró são auditáveis. Todos os atos. Tudo é através de sistema, tudo é através do sistema digital, eletrônico, que qualquer órgão de controle pode fiscalizar a qualquer momento”, declarou.
Os investigadores também avaliam a hipótese de ordens de compra com valores superiores à quantidade de medicamentos efetivamente entregue. Em um exemplo citado nas conversas, uma ordem de R$ 400 mil corresponderia a R$ 200 mil em produtos, com a diferença destinada a supostos pagamentos.
Allyson afirmou ainda que os medicamentos recebidos pelo município eram registrados desde a entrada na farmácia central até a entrega aos pacientes. “Se caso tiver erro, o sistema vai identificar, vai estar lá a prova circunstancial, dentro do sistema, auditado por qualquer órgão de controle”, afirmou.
“Eu não tenho compromisso com erro. Qualquer questão de erro deve ser apurada, pode ser apurada, eu faço questão”, completou.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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