Política
14/05/2026
Em tempos de eleição, político costuma enfiar o pé na jaca ao falar dos adversários.
O senador Rogério Marinho foi de uma infelicidade tremenda ao criticar o jeitão de Allyson Bezerra na vida pública.
Abusando do deboche, Marinho disse que a pré-candidatura do adversário ao governo “não fede, nem cheira”.
— Então, na hora em que você tem uma candidatura que não é uma coisa, nem é outra; que não fede, nem cheira; que é insípida, inodora, que não tem gosto; que fica o tempo todo dando saltos para o ar e andando com um chapéu esquisito… — disse o senador, em entrevista à 96 FM.
Pronto. Era o que Allyson queria para se fazer de vítima e valorizar suas raízes sertanejas, atacando o rival:
— Esquisito foi a covardia de não ser candidato ao governo do estado por saber da sua rejeição e desaprovação — rebateu o ex-prefeito.
Rogério foi infeliz porque desmereceu um símbolo do povo nordestino: o chapéu de couro.
O acessório, mais que identidade cultural, carrega significados que vão da sobrevivência física à afirmação política.
Para muitos, o chapéu de couro é a “coroa do sertanejo”.
A fala de Rogério Marinho soou preconceituosa e desrespeitosa com sua gente do Rio Grande do Norte, estado do semiárido nordestino.
Revela certa soberba de quem está muito próximo dos palácios de Brasília e distante do sertão de Raimundo Jacó, Luiz Gonzaga, Lampião, Padre Cícero e Elino Julião.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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