Data centers: Hugo Fonseca alerta para risco de antecipar mercado em construção

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Assecom/Sedec
Secretário Hugo Fonseca alerta para risco de antecipar mercado de data centers, na visão dele, em construção.

Economia

09/04/2026

O Rio Grande do Norte passou a ocupar espaço relevante no debate sobre infraestrutura digital no Brasil, impulsionado por vantagens como energia renovável, localização estratégica e novas rotas globais de dados. Mas, na avaliação do secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Hugo Fonseca, ainda há uma distância considerável entre despertar interesse e, de fato, atrair investimentos.

— Há uma diferença fundamental entre despertar interesse e capturar investimento — afirma o secretário.

Segundo ele, o entusiasmo recente em torno do setor tem sido acompanhado por uma leitura apressada do mercado, que transforma projeções de longo prazo em oportunidades imediatas. Para Fonseca, essa abordagem pode ser mais prejudicial do que benéfica.

— Inflar dados ou descontextualizar projeções não amplia o interesse — reduz a credibilidade — diz.

O secretário ressalta que data centers são investimentos altamente seletivos, estruturados com base em contratos concretos, decisões de longo prazo e critérios rigorosos de localização. Nesse contexto, a antecipação de escala sem fundamentos sólidos não encontra respaldo no setor.

— Não há espaço para antecipação de escala sem fundamento. A capacidade é instalada de forma progressiva, acompanhando a ocupação real — explica.

Fonseca destaca que o principal desafio não está no potencial do Rio Grande do Norte, mas na forma como esse potencial vem sendo interpretado. Para ele, o debate precisa migrar das expectativas para os fundamentos.

Entre os fatores críticos, o secretário cita a necessidade de convergência entre energia firme, conectividade internacional de baixa latência e um ecossistema tecnológico consolidado. Elementos que, segundo ele, evoluem de forma gradual e determinam o ritmo real de implantação dos projetos.

— Energia disponível não é suficiente sem energia confiável. Interesse institucional não substitui demanda efetiva — pontua.

O secretário também faz um alerta sobre os riscos de políticas públicas baseadas em cenários ainda não materializados. Para ele, esse descompasso pode comprometer o desenvolvimento de um setor intensivo em capital.

— Narrativas, por mais bem construídas que sejam, não sustentam investimentos dessa magnitude — afirma.

Apesar das ressalvas, Fonseca reconhece que o Estado reúne condições competitivas para disputar investimentos. No entanto, ressalta que o diferencial estará menos no tamanho das projeções e mais na qualidade da execução.

— Investidores globais não buscam o maior mercado projetado, mas o ambiente mais previsível — diz.

Para ele, o caminho passa por fortalecer a credibilidade institucional, garantir segurança jurídica e alinhar expectativas à realidade do mercado.

— O Rio Grande do Norte não precisa inflar narrativas. Precisa demonstrar consistência e reduzir incertezas — conclui.

Diogenes dantas ao centro da imagem vestido de terno preto, ele sorri.

Diógenes Dantas

é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.

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