Eleições
01/10/2026
A poucas horas do debate presidencial da TV Globo, decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) mudaram a configuração do último confronto entre os candidatos antes do primeiro turno.
A ministra Estela Aranha, do TSE, proibiu a Globo de exibir de forma destacada o púlpito vazio de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que decidiu não participar do debate. A magistrada também impediu que os candidatos presentes façam perguntas dirigidas ao petista.
Pouco depois, o ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou a inclusão de Renan Santos (Missão), atendendo a pedido do Solidariedade. O partido havia recorrido contra decisão do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, que rejeitara a participação do candidato.
Após as decisões, Flávio Bolsonaro (PL), que havia confirmado presença, anunciou que também não participaria do debate. O candidato atribuiu a desistência ao que classificou como "censura" imposta pelo TSE.
Com as ausências de Lula e Flávio, o debate terá Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos.
Lula comunicou na quarta-feira que não compareceria ao encontro e, no mesmo horário do debate, será entrevistado pelo podcast Flow.
A previsão de manter vazio o espaço destinado ao candidato ausente fazia parte das regras acertadas previamente com as campanhas, inclusive a do PT. A prática já havia ocorrido nesta eleição e tem precedentes em disputas presidenciais. Em 2006, quando Lula também faltou ao debate da Globo no primeiro turno, seu lugar permaneceu vazio e foi exibido durante o programa.
Ao conceder a liminar, Estela Aranha argumentou que a participação em debates é facultativa e que as regras acertadas previamente não podem tornar obrigatório o comparecimento. Para a ministra, permitir perguntas dirigidas ao ausente, sem possibilidade de resposta imediata, poderia provocar desequilíbrio entre as candidaturas.
A magistrada também considerou que a exposição reiterada do púlpito vazio, identificado com o nome do candidato, poderia ultrapassar a simples informação ao eleitor sobre sua ausência.
Já Gilmar Mendes determinou a participação de Renan Santos após o Solidariedade pedir que fossem estendidos ao candidato os efeitos de decisão anterior do ministro relacionada à liberdade de expressão no período eleitoral.
Assim, a poucas horas do início, o debate que deveria marcar o último confronto presidencial do primeiro turno perdeu os dois candidatos que lideram a disputa e ganhou um participante por decisão judicial.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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