Economia
08/04/2026
O endividamento das famílias brasileiras atingiu 80,4% em março — o maior nível da série histórica da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O avanço foi puxado, sobretudo, pelas famílias com renda acima de cinco salários mínimos, enquanto a inadimplência recuou entre os que ganham até três.
Ainda assim, o quadro segue pressionado. Hoje, 29,6% das famílias têm contas em atraso — estável em relação a fevereiro — e 12,3% já não conseguem pagar suas dívidas.
O problema vai além do aperto individual e começa a contaminar a economia. Estudo do banco Daycoval mostra que o superendividamento reduz em cerca de 40% o impacto positivo do crescimento da renda sobre o consumo.
Na prática, o efeito multiplicador da massa salarial encolhe. Cai de 0,29 para 0,17 ponto percentual quando o endividamento ultrapassa 39% da renda — patamar hoje já em 49,7%, segundo o Banco Central.
Sem esse peso, o consumo das famílias teria avançado 10,8% desde 2023. Cresceu 7,8%.
É a economia andando com freio de mão puxado.
Diante desse cenário, o governo federal acelera os ajustes finais de um novo pacote para reduzir o endividamento. A proposta mira dois grupos: famílias de baixa renda com dívidas em atraso de até um ano e consumidores adimplentes, mas sufocados pelo comprometimento excessivo da renda.
No diagnóstico, não há dúvida. Falta renda? Nem sempre. O que sobra é dívida.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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