Economia
16/09/2026
A Femurn (Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte) avalia pedir intervenção federal diante dos atrasos nos repasses constitucionais do Governo do Estado às prefeituras. A informação foi publicada pela Tribuna do Norte após reunião com prefeitos nesta terça-feira (15), em Natal.
A entidade também decidiu recorrer ao MP (Ministério Público do Rio Grande do Norte), ao TCE (Tribunal de Contas do Estado) e ao MPF (Ministério Público Federal) para cobrar os valores.
A Femurn calcula que o débito chegou a R$ 260 milhões. Mesmo com o repasse de aproximadamente R$ 137 milhões anunciado para esta quarta-feira (16), a entidade afirma que ainda restarão R$ 185 milhões pendentes.
O Governo do Estado informou que o pagamento corresponde a transferências constitucionais de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica). A Secretaria de Estado da Fazenda também afirmou que cerca de R$ 116 milhões haviam sido repassados na semana anterior.
Para o presidente da Femurn, José Augusto Rêgo, os R$ 137 milhões não representam a quitação completa dos débitos. “O governo usa esses recursos dos municípios para cumprir com as obrigações. E ficam os municípios à mercê dos seus credores, das suas folhas de pessoal, porque é um recurso que é deles que está sendo usado pelo governo do Estado”, afirmou Rêgo.
A entidade também cobra valores da Farmácia Básica, programa do SUS (Sistema Único de Saúde) responsável pelo fornecimento gratuito de medicamentos essenciais. Prefeitos relatam que os atrasos já chegam a cerca de três meses quando considerados os diferentes repasses.
A Femurn pretende ainda levantar, por meio do Banco do Brasil, os valores referentes ao IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) que ainda seriam devidos aos municípios. A intenção é chegar ao montante total pendente.
Segundo Rêgo, os atrasos viraram rotina. “Virou rotina o atraso dos pagamentos referentes aos repasses constitucionais”, destaca o gestor.
Os prefeitos também discutiram uma possível audiência com a governadora Fátima Bezerra na próxima semana. A preocupação é que novos atrasos comprometam o pagamento da folha de pessoal e outras obrigações municipais.
Segundo a Tribuna do Norte, o secretário da Fazenda, Álvaro Bezerra, afirmou que já havia informado à Femurn que os repasses seriam concluídos nesta semana. Ele também disse que o Governo do Estado mantém o diálogo com os prefeitos.
“Nunca faltou diálogo e transparência a respeito desse tema”, declarou Álvaro Bezerra.
O prefeito de Natal, Paulinho Freire, afirmou que a capital também sofre com os atrasos. “Natal é igual a todos os municípios, nós estamos atrasados. O planejamento, a gente conta com o dinheiro do ICMS, porque tudo é proporcional, Natal tem uma despesa muito grande”, observa.
Para o prefeito, os efeitos são ainda maiores nas cidades do interior, que dependem mais das transferências estaduais. “O governo está usando recursos para cumprir os seus compromissos e sacrificando os prefeitos do interior para que eles possam cumprir as suas obrigações também”, alerta.
Paulinho Freire também afirmou que os atrasos podem levar a população a atribuir às prefeituras problemas provocados pela falta dos repasses. “Na ponta, a população vai culpar os prefeitos, ela não vai culpar o governo do Estado”, declarou.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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