Flávio Bolsonaro emitiu R$ 1,5 milhão em notas para empresas usadas em esquema de Vorcaro

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Carlos Moura/Agência Senado
Senador Flávio Bolsonaro segue explicando suas ligações com Daniel Vorcaro, banqueiro do Master.

Política

22/07/2026

O escritório de advocacia do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) emitiu e depois cancelou duas notas fiscais que somavam R$ 1 milhão em favor da Copenhagen Consultoria e Assessoria S.A., empresa apontada como integrante da estrutura usada por Daniel Vorcaro para movimentar recursos do Banco Master. As informações são da coluna de Tácio Lorran, no Metrópoles.

Os documentos ampliam as conexões conhecidas entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, investigado no caso conhecido como Dark Horse. Até então, era público que o senador havia obtido recursos do empresário para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

As duas notas fiscais, de R$ 500 mil cada, foram emitidas em 7 de abril de 2025 pelo escritório de Flávio, do qual ele é o único sócio. Ambas se referiam a serviços de consultoria jurídica para a Copenhagen e foram canceladas no mesmo dia. Àquela altura, segundo a reportagem, a empresa já havia recebido milhões de reais de Vorcaro.

Dois dias depois, em 9 de abril, o escritório emitiu uma terceira nota fiscal, também de R$ 500 mil, desta vez para a Contábil Correa. Diferentemente das anteriores, não há registro de cancelamento.

As duas empresas têm em comum o contador Rogério Lourenço Novo. Na Receita Federal, ele aparece como diretor da Copenhagen e único sócio da Contábil Correa. Também integra o conselho fiscal da Ambipar, empresa citada na rede de relações de Vorcaro.

Segundo o Metrópoles, a Copenhagen não possui sede própria nem site e está registrada no mesmo endereço da Contábil Correa, em São Caetano do Sul (SP). Rogério Lourenço Novo também foi investigado pela Polícia Federal por suspeita de participação em um esquema de emissão de notas fiscais falsas entre 2013 e 2015, com fraude estimada em mais de R$ 100 milhões.

Empresa recebeu R$ 58 milhões

Criada em novembro de 2024 com capital social de apenas R$ 40, a Copenhagen tornou-se uma das dez empresas que mais receberam recursos do Banco Master. De acordo com a reportagem, Daniel Vorcaro transferiu R$ 58 milhões para a empresa, sendo R$ 11,2 milhões logo após sua constituição.

No papel, a Copenhagen pertence ao fundo Estônia, administrado pela Trustee DTVM. A gestora é investigada pela Polícia Federal por suspeita de movimentar e ocultar patrimônio ligado ao grupo de Vorcaro.

O que diz Flávio Bolsonaro

Em nota, Flávio Bolsonaro afirmou que firmou contrato de assessoria jurídica com a BR Global, nome fantasia da Contábil Correa, e que chegou a ser consultado sobre a possibilidade de atender a Copenhagen. Segundo ele, a contratação não foi concretizada, o escritório não recebeu qualquer pagamento da empresa e, por isso, as notas fiscais foram canceladas.

O senador também afirmou desconhecer qualquer vínculo entre a Copenhagen, a BR Global e o Banco Master, classificou como "capciosa" qualquer tentativa de associá-lo ao caso e informou que adotará medidas judiciais contra quem divulgar essa interpretação. Além disso, levantou a suspeita de vazamento ilegal de informações protegidas por sigilo fiscal.

"A empresa é minha"

Ao Metrópoles, Rogério Lourenço Novo declarou ser proprietário da Copenhagen desde setembro de 2025. Ele afirmou que contratou o escritório de Flávio Bolsonaro para prestar serviços aos clientes de sua empresa de contabilidade, em um modelo que chamou de "quarteirização".

Questionado sobre quais clientes foram atendidos pelo escritório, disse que possui mais de 200 e não soube informar quem recebeu os serviços ou quais atividades foram realizadas. Prometeu buscar as informações, mas, segundo a reportagem, não retornou o contato.

A Trustee DTVM afirmou que não interferia nas relações comerciais da Copenhagen nem nas negociações envolvendo a empresa e o Banco Master, rejeitando qualquer participação em eventual ocultação de patrimônio.

Diogenes dantas ao centro da imagem vestido de terno preto, ele sorri.

Diógenes Dantas

é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.

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