Eleições
23/09/2026
Vídeos falsos produzidos por inteligência artificial (IA) e conteúdos de baixa qualidade passaram a representar a principal ameaça digital às eleições e à democracia, segundo o Guia Internet, Democracia e Eleições, publicado nesta terça-feira (22) pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).
A segunda edição do documento aponta mudanças no ambiente digital desde 2018, quando a primeira versão foi lançada, e alerta para o avanço de ferramentas capazes de produzir narrativas falsas com aparência cada vez mais convincente.
O guia aponta que, em 2018, as redes abertas, como o Facebook, eram os principais meios de circulação de informações, enquanto atualmente plataformas mais restritas, como o WhatsApp, ganharam espaço na disseminação de conteúdos.
Os especialistas do CGI.br também identificaram uma distribuição mais fragmentada da desinformação, com circulação simultânea em várias plataformas. "Em termos de formato, o vídeo passou a ser o principal vetor, quase sempre acompanhado de um texto curto que ancora e legitima a narrativa falsa", aponta o documento.
As inteligências artificiais generativas já foram utilizadas no ciclo eleitoral de 2022, mas o estudo prevê uma influência maior dessas ferramentas nas eleições atuais. A combinação com sistemas de distribuição direcionada e roteiros mais elaborados pode aumentar o apelo de conteúdos falsos.
“Hoje, as plataformas digitais ocupam um lugar central na forma como os brasileiros se informam sobre o que acontece no mundo, no país e nas cidades onde vivem", diz a coordenadora do CGI.br, Renata Mielli.
A coordenadora ressalta que as plataformas são empresas privadas orientadas por objetivos econômicos, e não pela perspectiva do interesse público. Ela defende a compreensão dos mecanismos de distribuição de conteúdos para fortalecer a qualidade da informação e a democracia.
"Compreender como esses ambientes funcionam, como os conteúdos são distribuídos e quais impactos isso produz sobre o debate público é fundamental para fortalecer a integridade da informação e a própria democracia. Esclarecer esses mecanismos é uma das finalidades do guia”.
A publicação aborda o funcionamento dos sistemas de recomendação, os efeitos da IA generativa no cenário eleitoral e ferramentas como deepfakes e modelos de linguagem conversacionais. O material também reúne diretrizes institucionais contra a desinformação e orientações para evitar que cidadãos se tornem vítimas ou disseminadores de conteúdos enganosos.
O estudo analisa ainda o papel dos influenciadores digitais na circulação de informações. Embora reconheça a importância dessas figuras no debate público, o guia diferencia sua atuação das responsabilidades atribuídas ao jornalismo.
Segundo a publicação, influenciadores não seguem necessariamente um código de ética jornalística nem respondem institucionalmente pela veracidade das afirmações ou por erros e imprecisões nos conteúdos divulgados.
O CGI.br alerta que o aprimoramento do realismo das deepfakes aumenta o potencial de enganar até mesmo pessoas com experiência na avaliação de conteúdos digitais. A disseminação de materiais falsos pode alimentar a desconfiança generalizada, inclusive em relação a informações verdadeiras.
"A perda de confiança em instituições como a imprensa e o Judiciário, somada à polarização política, também contribuem para esse cenário, fazendo com que convicções pessoais se sobreponham à verificação dos fatos", alerta o Guia.
O documento também aborda a chamada racionalidade motivada, quando pessoas tendem a aceitar informações que confirmam suas crenças e rejeitar conteúdos que as contradizem. Segundo o estudo, esse comportamento pode reforçar divisões ideológicas e dificultar a verificação dos fatos.
O Guia Internet, Democracia e Eleições está disponível no site do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), com orientações sobre os riscos digitais e os mecanismos de circulação de informações no período eleitoral.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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