Brasil
22/09/2026
O jornalista e escritor Zuenir Ventura morreu aos 95 anos nesta terça-feira (22), em decorrência de uma pneumonia. Com mais de seis décadas de atuação, ele construiu uma trajetória marcada pela cobertura de episódios políticos e questões sociais do Brasil.
"Morreu esta manhã, em casa, aos 95 anos, em decorrência de uma pneumonia, o jornalista e Acadêmico Zuenir Ventura. Seu corpo será velado amanhã na Academia Brasileira de Letras e enterrado no mausoléu da ABL no Cemitério São João Batista", comunicou em nota a Academia Brasileira de Letras (ABL).
Zuenir deixa a mulher, Mary Ventura, e os filhos Mauro Ventura, jornalista, e Elisa Ventura, editora. Ele era o sétimo ocupante da Cadeira nº 32 da ABL, para a qual foi eleito em 30 de outubro de 2014, sucedendo o escritor Ariano Suassuna.
Natural de Além Paraíba, em Minas Gerais, Zuenir trabalhou como pintor de parede, office-boy, jogador de basquete, arquivista, professor universitário e jornalista. O início da carreira teve influência de professores como Manuel Bandeira, Alceu Amoroso Lima e Cleonice Berardinelli.
Obras e cobertura de episódios históricos
Em 1988, Zuenir lançou o livro "1968 - o ano que não terminou", obra que inspirou a minissérie “Os anos rebeldes”, da TV Globo. No ano seguinte, viajou ao Acre para investigar o assassinato de Chico Mendes, trabalho que resultou em uma série de reportagens premiada.
Durante a cobertura, o jornalista assumiu a tutela de Genésio, então com 13 anos e principal testemunha do caso. “Um dia, cheguei com o Genésio debaixo do braço, apresentei para minha mulher e meus dois filhos. Ele ficou sob minha tutela até os 18 anos”, relembrou.
Publicado em 1994, "Cidade Partida" tornou-se uma das obras mais conhecidas de Zuenir Ventura. Vencedor do Prêmio Jabuti, o livro aborda a violência, a desigualdade e a divisão social do Rio de Janeiro a partir da experiência do autor em Vigário Geral, onde uma chacina matou 21 pessoas em 1993.
Zuenir também recebeu os prêmios Esso e Vladimir Herzog de jornalismo. Em 2008, foi homenageado pela Organização das Nações Unidas (ONU) com um troféu especial por estar entre os cinco jornalistas que “mais contribuíram para a defesa dos direitos humanos no país nos últimos 30 anos”.
Além do jornalismo e da literatura, ele atuou no audiovisual. Participou da codireção de "Um Dia Qualquer", lançado em 2000, e escreveu o roteiro de "Paulinho da Viola: Meu Tempo é Hoje", documentário dirigido por Izabel Jaguaribe e lançado nos cinemas em 2003.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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