Política
18/08/2026
Uma mensagem de WhatsApp encontrada pela Polícia Federal mostra que Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, recebeu um modelo de contrato para a venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde, com dispensa de licitação.
O documento foi enviado pela empresária Roberta Luchsinger, amiga do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. Na época, ela tentava viabilizar o negócio com o ministério, o que não ocorreu em meio à eclosão do escândalo dos descontos indevidos no INSS.
Marcola confirmou a interlocutores que recebeu o material, mas afirmou que não o encaminhou. Segundo essas pessoas, ele reconheceu que o recebimento do documento foi “inadequado”, mas negou qualquer favorecimento.
Por sua proximidade com integrantes do governo, Roberta foi contratada por Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, preso pela PF sob suspeita de desviar recursos de aposentadorias e pensões. Segundo a investigação, ela recebeu R$ 1,5 milhão, em cinco parcelas de R$ 300 mil, para tentar viabilizar a venda de canabidiol ao Ministério da Saúde, com o objetivo de disponibilizar o produto no SUS.
A mensagem enviada a Marcola integra uma das investigações que envolvem Roberta e Lulinha no Supremo Tribunal Federal. O filho do presidente é investigado em três inquéritos por suspeita de tráfico de influência no governo. Uma das linhas de apuração é justamente sua relação com a empresária.
Mensagens em poder da PF mostram que Roberta e Lulinha conversavam sobre negócios. Em março de 2024, ela escreveu: “Nosso nível tá outro. Nosso futuro é Suíça. Poucos negócio é bom (sic). Esse povo aqui tá em outra vibe”. Lulinha respondeu: “Isso. Deixa eles. Trabalho para caralho e nunca dá em nada”.
Em outra conversa, Lulinha afirmou ter participado de reuniões com Marcola e com o então secretário-executivo do Ministério da Saúde, Swedenberger Barbosa. Na época, Marcola trabalhava no gabinete presidencial e cuidava da agenda de Lula com parlamentares, ministros e empresários.
A relação entre Roberta e o ex-chefe de gabinete também aparece no inquérito porque a empresária teria repassado dinheiro, pago boletos e comprado presentes a pedido dele. Entre as despesas estão duas joias destinadas a familiares no Dia das Mães de 2024. Segundo a investigação, Marcola enviou pelo WhatsApp o modelo das peças, e Roberta pagou uma fatura de R$ 9,2 mil.
Marcola afirma que recebeu dela, ao todo, R$ 217 mil e que devolveu R$ 249 mil, com correção pela inflação.
Lulinha e Roberta negam irregularidades. A defesa do filho do presidente afirmou que só se manifestará sobre o conteúdo das mensagens depois de ter acesso integral aos dados obtidos pelas quebras de sigilo. Também criticou o que classificou como divulgação seletiva de informações sob sigilo e disse que pedirá a apuração de eventual violação do dever de sigilo funcional.
A defesa de Roberta informou que o processo está sob sigilo e não se manifestou sobre as mensagens.
O Ministério da Saúde afirmou que nunca houve possibilidade de compra do canabidiol porque o produto não está incorporado ao SUS. Segundo a pasta, não existe contrato para a aquisição nem houve, na atual gestão, discussão para oferecer o produto na rede pública de saúde.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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