Política
24/03/2026
A camiseta vestida por Flávio Bolsonaro em Natal — “Nordeste é solução” — dialoga diretamente com um passado recente bem menos amistoso no discurso do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ao longo de sua trajetória política, Bolsonaro acumulou declarações que repercutiram negativamente na região, historicamente mais alinhada ao eleitorado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em 2017, durante uma palestra, afirmou que “o nordestino não sabe fazer nada”.
Já em 2019, em conversa registrada por áudio, referiu-se ao Maranhão como “paraíba” e disse: “desses governadores de ‘paraíba’, o pior é o do Maranhão”, numa crítica ao então governador Flávio Dino.
No mesmo ano, ao comentar o desempenho eleitoral, classificou o Nordeste como “a pior região do Brasil para se fazer política”, atribuindo o cenário à influência de programas sociais e lideranças locais.
Esse conjunto de declarações, somado a outros gestos interpretados como distanciamento político, ajudou a consolidar a resistência ao bolsonarismo em grande parte do eleitorado nordestino — evidenciada nas urnas de 2018 e 2022.
É nesse contexto que a mensagem estampada no peito do filho Zero Um soa menos como convicção e mais como reposicionamento político.
Em outras regiões do país — como Sul, Centro-Oeste e parte do Sudeste — Flávio Bolsonaro apresenta desempenho mais competitivo em relação a Lula. No Nordeste, porém, a disparidade segue como um dos principais pontos de fragilidade da pré-campanha.
Coordenador do projeto, o senador Rogério Marinho reconheceu o problema. Disse que “evidentemente aconteceram erros” em 2022 — caso contrário, o resultado teria sido outro — e afirmou que a meta para 2026 é buscar um novo equilíbrio entre “erros e acertos”, com prevalência dos acertos.
O slogan “Nordeste é solução”, portanto, não surge por acaso. É peça de uma estratégia para reduzir rejeições históricas e abrir caminho em um território eleitoral ainda hostil.
é um jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UNP, atuou em vários veículos importantes locais e nacionais (Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e rádios 96 FM, 98 FM e 91.9 FM). Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN. Foi coordenador de comunicação da Potigas, e assessor da presidência da Petrobras.
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