Nova tarifa dos EUA ameaça 1,5 mil empregos na pesca do Rio Grande do Norte

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Naryelle Keyse
Uma nova proposta do governo americano pretende elevar a taxação sobre o atum brasileiro para assustadores 37,5%.

Economia

07/07/2026

A indústria da pesca oceânica do Rio Grande do Norte encara mais um período de turbulência no mercado internacional. Uma nova proposta do governo americano pretende elevar a taxação sobre o atum brasileiro para assustadores 37,5%.

O avanço da barreira comercial coloca em risco direto cerca de 1.500 empregos de carteira assinada no Estado. O setor já vinha operando com margens apertadas após enfrentar as primeiras rodadas do pacote de tarifas de Washington.

A atividade exportadora potiguar depende essencialmente dos compradores norte-americanos, destino principal do peixe capturado pela frota local. No ano passado, as vendas externas do segmento despencaram 50% devido aos primeiros entraves alfandegários.

Segundo dados da plataforma Comex Stat (Estatísticas de Comércio Exterior do Brasil), o pescado rendeu US$ 13,8 milhões ao Estado em 2025. O montante ficou bem abaixo da capacidade real da indústria local.

O presidente do Sindipesca (Sindicato da Indústria da Pesca do Rio Grande do Norte), Arimar França Filho, expressou forte temor com o cenário. O dirigente explicou que o fôlego conquistado com a tarifa anterior de 10% sumiu.

“A gente vinha respirando com a redução para 10%, mas essa nova ameaça volta a colocar toda a atividade em situação de insegurança. Nossa margem é pequena e qualquer aumento desse porte compromete a operação”, afirma, ao Agora RN.

Como contra-ataque, uma comitiva brasileira iniciou nesta segunda-feira (6) a participação em audiências públicas nos Estados Unidos. O grupo tenta barrar a aplicação dessa taxa extra sob a liderança do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos).

A decisão final da gestão de Donald Trump deve sair até o dia 15 de julho. O Sindipesca atua em conjunto com a Fiern (Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte) nessa mobilização.

A defesa dos interesses brasileiros em solo americano recebe o suporte da CNI (Confederação Nacional da Indústria). “Estamos sendo representados pela CNI nas negociações. Ela tem interlocução direta com o Governo Federal e esperamos que esse diálogo produza uma solução antes que a nova tarifa entre em vigor”, diz França Filho.

Para escapar da dependência americana, as empresas potiguares buscam alternativas rápidas e diversificam mercados na Ásia. A comercialização de lagosta para a China e Taiwan tem funcionado como uma boia de salvação provisória.

“A lagosta encontrou espaço na Ásia e isso ajuda a manter parte da atividade, mas não substitui o mercado americano para o atum”, pondera o líder empresarial. O processo de conquista de novas praças comerciais caminha em ritmo gradual.

Outra saída cobiçada pelos empresários é a reabertura do mercado da União Europeia, bloqueado por entraves sanitários desde 2018. Enquanto os acordos não saem, as indústrias operam em ritmo de extrema cautela nas praias potiguares.

“O setor já atravessou um período muito difícil. Estamos tentando manter a atividade, preservar os postos de trabalho e buscar novos mercados, mas precisamos de previsibilidade para continuar produzindo e exportando”, conclui Arimar.

Diogenes dantas ao centro da imagem vestido de terno preto, ele sorri.

Diógenes Dantas

é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.

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