Oito governadores desistem da eleição e ficam no cargo até fim do mandato

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Reprodução/Montagem/Divulgação ANPr
Eduardo Leite, Fátima Bezerra e Ratinho Júnior decidiram permanecer no governo até o fim do mandato.

Política

01/04/2026

Pelo menos oito governadores em fim de segundo mandato decidiram permanecer no cargo para conduzir a própria sucessão e ficar fora da disputa eleitoral deste ano. O movimento, mais amplo do que em pleitos anteriores, revela um cenário de cautela política, crises regionais e rompimentos internos. O levantamento foi realizado pela Folha.

No Rio Grande do Norte, a decisão da governadora Fátima Bezerra (PT) ganha contornos estratégicos. Após o rompimento com o vice Walter Alves (MDB) — que disputará vaga de deputado estadual —, a renúncia abriria caminho para uma dupla vacância e uma eleição indireta na Assembleia Legislativa, com resultado imprevisível. Ao permanecer no cargo, Fátima evita o risco institucional e mantém o controle da sucessão, apostando no nome do secretário da Fazenda, Cadu Xavier (PT), além de preservar um palanque competitivo para o presidente Lula.

O caso potiguar se soma a outros estados onde governadores optaram por não disputar cargos para não entregar o poder a adversários ou lidar com cenários políticos adversos.

Entre os que ficam estão Ratinho Junior (PSD), no Paraná, e Eduardo Leite (PSD), no Rio Grande do Sul — ambos fora da corrida presidencial. Leite, inclusive, decidiu não disputar o Senado e deve apoiar o vice, Gabriel Souza (MDB), na sucessão estadual.

Em Alagoas, Paulo Dantas (MDB) permanece no cargo em um cenário mais estável, apoiando o retorno de Renan Filho (MDB). Já no Maranhão, o ambiente é de confronto: Carlos Brandão e o vice Felipe Camarão (PT) travam disputa política e judicial, com possibilidade de estarem em palanques opostos em 2026.

Também seguem no cargo, em meio a tensões locais, Wilson Lima (União Brasil-AM), Marcos Rocha (PSD-RO) e Wanderlei Barbosa (Republicanos-TO), todos enfrentando desgastes com seus vices.

Na outra ponta, dez governadores optaram pela renúncia até o prazo de desincompatibilização. Em Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) deixou o cargo e tenta viabilizar candidatura presidencial, enquanto Ronaldo Caiado (PSD), em Goiás, também renunciou para disputar o Planalto, passando o governo ao vice Daniel Vilela (MDB).

Outros oito governadores escolheram o Senado como destino político, caso de Helder Barbalho (MDB-PA), João Azevêdo (PSB-PB), Mauro Mendes (União Brasil-MT) e Gladson Cameli (PP-AC), divididos entre alianças com Lula e o campo bolsonarista.

Já nove governadores vão tentar a reeleição, entre eles Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), que deve reeditar o embate com Fernando Haddad (PT). No campo petista, Rafael Fonteles (PI) tem cenário confortável, enquanto Jerônimo Rodrigues (BA) e Elmano de Freitas (CE) enfrentam disputas mais acirradas — este último sob a sombra de Ciro Gomes (PSDB) e do ex-governador Camilo Santana (PT).

O dado mais revelador é estrutural: nunca tantos governadores ficaram fora da disputa eleitoral. Em 2022, foram cinco; em 2018, apenas quatro. Em 2026, o número cresce embalado por um fator comum — a necessidade de controlar a própria sucessão em ambientes políticos cada vez mais fragmentados.

Diogenes dantas ao centro da imagem vestido de terno preto, ele sorri.

Diógenes Dantas

é um jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UNP, atuou em vários veículos importantes locais e nacionais (Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e rádios 96 FM, 98 FM e 91.9 FM). Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN. Foi coordenador de comunicação da Potigas, e assessor da presidência da Petrobras.

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