Economia
22/04/2026
O "kit churrasco" está pesando muito mais no bolso dos potiguares neste ano. Segundo dados apurados pela Tribuna do Norte, os preços da carne e da cerveja subiram bem acima da inflação oficial entre março de 2025 e março de 2026.
Enquanto o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) marcou 4,14%, a cerveja saltou 6,06%. Já a carne registrou alta de 5,68% no país, mas no Rio Grande do Norte o cenário é ainda mais ríspido.
Gilvan Mikelyson, presidente da Assurn (Associação dos Supermercados do Rio Grande do Norte), afirma que a carne subiu até o dobro da inflação por aqui. O resultado é uma mudança imediata nos hábitos de quem vai às compras.
“No caso das carnes, há uma mudança no cenário de consumo, tanto pela substituição por cortes menos nobres, mas também pela migração para o consumo de frango e de porco. A carne suína e a carne de aves têm sido opções muito mais em conta do que a carne bovina”, explica Mikelyson.
Nos açougues, a procura mudou de nível e as escolhas agora são mais criteriosas. Vinícius Borges, gerente da Bomfrigo Atacarejo, relata que a clientela agora foca em cortes mais baratos.
“A carne de primeira caiu muito. Sempre procuram essa carne mais acessível, que seja uma qualidade boa, mas com preço menor. Hoje em dia, a carne de segunda está do preço antigo da carne de primeira”, diz.
O quilo do músculo, por exemplo, saltou de R$ 25,00 para R$ 32,49 em apenas um ano. Atualmente, a posta gorda e os embutidos lideram a lista de itens mais vendidos.
No setor de bebidas, a sede diminuiu por motivos financeiros e até de saúde. Mikelyson nota que o uso de remédios modernos para perda de peso influenciou o mercado.
“A diminuição é identificada, principalmente, alinhada ao uso bastante intenso das canetas emagrecedoras, que fazem com que as pessoas bebam menos – e as que continuam bebendo migram para cervejas com menos teor alcoólico”, diz Gilvan.
Além da saúde, a indústria mudou sua estratégia e parou de investir em subsídios que baixavam o valor nas prateleiras. Já o aumento da carne é fruto de pastos castigados pelo clima e pelo dólar alto.
“As negociações em dólar são muito mais favoráveis aos fornecedores e aos produtores. Todo esse cenário faz com que os preços da carne tenham aumentado bastante, como nos últimos 60 dias”, observa Mikelyson.
é um jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UNP, atuou em vários veículos importantes locais e nacionais (Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e rádios 96 FM, 98 FM e 91.9 FM). Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN. Foi coordenador de comunicação da Potigas, e assessor da presidência da Petrobras.
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