Economia
24/06/2026
A busca por crédito no Rio Grande do Norte cresceu 16% no acumulado de 12 meses até abril de 2026. O dado foi divulgado pelo Indicador de Demanda dos Consumidores por Crédito da Serasa Experian.
O avanço local superou a média de todo o país, que fechou em 15,2% no mesmo intervalo. Analistas alertam que o movimento reflete o sufoco no orçamento doméstico, não um boom de compras.
O comércio e os serviços ditam o ritmo da economia potiguar, deixando o estado sensível a oscilações. Com juros altos e inflação pesando nos gastos básicos, o empréstimo virou boia de salvação.
"Em um ambiente marcado por juros elevados, inflação ainda pressionando parte dos gastos essenciais e maior comprometimento da renda, o crédito passa a desempenhar um papel ainda mais relevante no planejamento financeiro dos consumidores", analisa Camila Abdelmalack.
A economista-chefe da empresa de análise de dados explica que as pessoas buscam dinheiro para reorganizar as finanças. No Nordeste, porém, o estado teve a terceira menor alta, superando apenas o Ceará e o Maranhão.
O estouro na procura teve as famílias que ganham entre um e dois salários mínimos como protagonistas, com alta de 28%. A turma que ganha até um salário mínimo vem logo atrás, registrando 18,8% de aumento.
O economista Helder Cavalcanti classifica esse comportamento na base da pirâmide como uma "demanda defensiva". O dinheiro extra serve para cobrir despesas do dia a dia e manter o padrão de vida básico.
É o caso da autônoma Ana Cláudia Alexandre, que pegou dinheiro emprestado no bairro Alecrim. “É necessidade mesmo. Quando a gente precisa comprar alguma coisa para dentro de casa ou até pagar as contas, porque o salário que a gente recebe hoje em dia não dá para quase nada”, revelou à Tribuna do Norte.
O lavador de carros Henrique da Silva também entra no desespero para fechar o mês. “É ruim depois que fica com dívida, se não souber administrar, mas no desespero a gente pede empréstimo mesmo. Pra comprar coisa básica”, disse.
O perigo mora no bolso, já que o uso recorrente de empréstimos indica desequilíbrio grave nas contas. “O desafio não é apenas ampliar o acesso ao crédito, mas ampliar o acesso ao crédito consciente. Sem orientação adequada, uma solução temporária pode acabar se transformando em um problema permanente”, destaca Cavalcanti.
O especialista adverte que o consumidor não pode ver o empréstimo como extensão do salário. Ele orienta calcular as parcelas com rigor para não cair na armadilha do superendividamento.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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