Economia
07/05/2026
O Rio Grande do Norte sofreu um revés bilionário no setor de energia limpa entre 2025 e o início de 2026. Dados da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), obtidos pela reportagem da Tribuna do Norte, revelam a devolução de 16 outorgas eólicas.
A desistência dos empreendedores representa uma perda de R$ 3,1 bilhões em investimentos que deixaram de entrar no Estado. O montante equivale a 625,50 MW de potência que não sairão do papel.
Apenas em 2025, treze projetos foram abandonados, somando um prejuízo de R$ 2,3 bilhões. No primeiro trimestre deste ano, outras três empresas jogaram a toalha, retirando mais R$ 400 milhões do radar potiguar.
Segundo a Aneel, a mudança no cenário econômico e custos elevados de financiamento tiraram a atratividade dos negócios. Uma nova lei de 2025 também permitiu que as empresas desistissem das usinas sem sofrer penalidades.
Líderes do setor apontam que o problema não é o vento, mas a falta de "estradas" para a energia. Williman Oliveira, presidente da Aper (Associação Potiguar de Energias Renováveis), afirma que a infraestrutura limitada gera insegurança.
“[O problema está] na limitação da infraestrutura de transmissão e na falta de previsibilidade para o escoamento da energia”, explica Oliveira. Para ele, essa falha pode frear novos aportes no curto prazo.
O cenário é ainda mais cinzento quando somado ao setor solar. Conforme publicado pela Tribuna do Norte, 51 usinas fotovoltaicas também foram devolvidas recentemente.
Juntas, as perdas nas áreas eólica e solar chegam a impressionantes R$ 16,1 bilhões em investimentos frustrados. O impacto atinge diretamente a geração de empregos e a arrecadação de impostos estaduais.
A Aneel tenta acalmar os ânimos citando novos contratos de transmissão que somam R$ 1,93 bilhão em obras. Além disso, há um megaprojeto de R$ 26,5 bilhões previsto para ligar o RN a São Paulo em 2027.
Para Francisco Silva, da ABEEólica (Associação Brasileira de Energia Eólica), as novas linhas são essenciais, mas não bastam. Ele defende o uso de baterias e critérios operacionais modernos para que o investidor volte a confiar no mercado brasileiro.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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