Economia
07/05/2026
Há temas que envelhecem mal na gaveta do Judiciário. A partilha dos royalties do petróleo é um deles. Treze anos depois, o assunto volta à pauta do Supremo — e volta carregado de cifras, frustrações e uma conta que não fecha nos cofres de estados e municípios.
Da tribuna da Assembleia Legislativa, o deputado Hermano Morais puxou o fio de uma espera que, segundo ele, já custou caro demais ao Rio Grande do Norte. A lei é de 2012, mas segue suspensa por liminar — um freio que, na prática, impede a redistribuição dos recursos e mantém o modelo atual, contestado por quem produz e por quem depende dessas receitas para sobreviver.
O RN está no bloco dos 19 estados que cobram a aplicação imediata da norma, com o reforço da Confederação Nacional dos Municípios. Não é apenas disputa jurídica; é disputa por fôlego fiscal.
Os números apresentados dão dimensão do impasse. Em 2025, o estado e seus municípios ficaram com cerca de R$ 621 milhões em royalties — um valor que, pelas contas do setor produtivo, poderia ser significativamente maior. Segundo cálculos da Fiern, a indefinição já teria retirado R$ 8,3 bilhões do bolso dos potiguares — sendo R$ 5,7 bilhões do estado e R$ 2,66 bilhões das prefeituras.
O impacto, como destacou o deputado, não se concentra na capital. Espalha-se pelo interior, onde o caixa é mais curto e a dependência de repasses é maior.
Dos 167 municípios do RN, 144 teriam sido afetados, acumulando perdas de R$ 762 milhões entre 2013 e 2024. É ali, na ponta, que a demora judicial deixa de ser tese e vira falta de obra, de serviço, de investimento.
Para Hermano, o julgamento no STF é mais do que uma definição jurídica: é condição para reorganizar o planejamento fiscal e corrigir uma distorção que penaliza justamente quem menos arrecada. A aposta é num desfecho favorável que redistribua melhor a renda do petróleo.
Depois de treze anos, a expectativa é simples — e direta: que o Supremo diga, enfim, o que fazer com um dinheiro que já tem destino, mas ainda não tem caminho.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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