Economia
15/04/2026
A conta simplesmente não fecha. Segundo informações apuradas pelo Agora RN, o déficit da previdência dos servidores civis do Rio Grande do Norte rompeu a barreira dos R$ 2 bilhões em 2025.
Esse buraco é a diferença entre o que o Estado arrecadou e o que gastou com benefícios no ano passado. Os dados constam no relatório de prestação de contas entregue pelo Governo à Assembleia Legislativa.
Na prática, entraram R$ 3,537 bilhões nos cofres, mas saíram R$ 5,559 bilhões para pagar quem já parou de trabalhar. Para ninguém ficar sem o dinheiro no bolso, o Tesouro Estadual teve que cobrir o prejuízo, o que tira recursos de outras áreas.
O Rio Grande do Norte ostenta hoje um título amargo: é o estado que mais gasta com Previdência no Brasil. De acordo com a STN (Secretaria do Tesouro Nacional), 34% de toda a despesa potiguar vai para essa finalidade, deixando o Rio de Janeiro (24%) bem atrás.
Nereu Linhares, presidente do Ipern (Instituto de Previdência dos Servidores do Estado do Rio Grande do Norte), avisa que não há milagre a curto prazo. “A solução deve ser de longo prazo”, ressaltou o gestor ao comentar o desequilíbrio.
Para ele, o grande vilão é a paridade, que garante aos inativos os mesmos reajustes de quem está na ativa. “A paridade é incompatível com qualquer sistema de previdência”, disparou Nereu ao Agora RN, lembrando que essa regra ainda terá efeitos por anos.
A matemática é cruel: entre 2023 e 2025, a receita previdenciária subiu 9,4%, enquanto as despesas saltaram 15%. É o resultado de uma "pirâmide invertida" onde quem recebe é mais numeroso do que quem contribui.
Atualmente, 52% da massa de servidores são inativos. São 49 mil aposentados e 14 mil pensionistas para "apenas" 54 mil funcionários que ainda batem o ponto diariamente.
O governo de Fátima Bezerra (PT) tenta frear o rombo com novos concursos públicos. A ideia é injetar sangue novo na base de contribuição, especialmente nas áreas de segurança, saúde e educação.
Além disso, o TCE (Tribunal de Contas do Estado) determinou a criação de um plano de amortização para encarar a dívida futura. Mas Nereu faz um alerta: o Executivo não pode carregar esse piano sozinho.
O déficit envolve também o Legislativo, o Judiciário e o Ministério Público. “Esse plano de amortização só dará certo se houver a adesão de todos os poderes”, declarou o presidente do Ipern.
A meta é apresentar essa proposta até o fim de 2026. No horizonte, não se descarta uma nova reforma que obrigue cada Poder a pagar sua fatia proporcional desse buraco bilionário.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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