Seinfra nega perda definitiva de areia em Ponta Negra

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Adriano Abreu/TN
Estudo aponta entorno do Morro do Careca, classificado como Área C, como o ponto mais crítico em termos proporcionais.

Cidades

03/06/2026

A Seinfra (Secretaria de Infraestrutura de Natal) negou que a praia de Ponta Negra tenha perdido de forma definitiva a areia da engorda. A manifestação veio após dados de um monitoramento técnico apontarem forte redução na faixa de terra do aterro hidráulico.

A pasta explicou que a variação integra a movimentação normal da natureza na redistribuição de sedimentos pela orla marítima. Segundo a nota oficial, o material arenoso não saiu do sistema costeiro local.

O estudo da Funpec (Fundação Norte-rio-grandense de Pesquisa e Cultura) em parceria com a UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte) apontou o sumiço visual de 39,27% da areia. O recuo equivale a 400,9 mil metros cúbicos de sedimentos acima da linha da água entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026.

Os pesquisadores constataram que o volume na parte seca encolheu de 1,02 milhão para 619,8 mil metros cúbicos em um ano. A Seinfra argumenta que o levantamento avaliou apenas o trecho exposto, sendo apressado cravar o destino final da areia.

“Ressaltamos, por fim, ser fundamental uma avaliação criteriosa sobre dados tecnicamente tão rigorosos, a fim de evitar conclusões precipitadas, inconsistentes ou entendimentos distorcidos sobre o andamento do projeto”, reiterou a pasta.

O documento técnico avisa que novos testes topobatimétricos, que mapeiam o relevo abaixo da água, são fundamentais para solucionar o mistério. Só assim será possível saber se a maré levou o material para o fundo próximo ou se correntes marinhas o espalharam.

A análise dividiu a praia em três setores, elegendo o entorno do Morro do Careca como o ponto mais crítico proporcionalmente. Esse trecho perdeu 51,87% de sua cobertura, sumindo com 111,1 mil metros cúbicos de areia.

Em números brutos, o prejuízo maior ficou na Via Costeira, onde o estoque encolheu 207 mil metros cúbicos. A porção central de Ponta Negra sentiu menos o impacto e registrou a menor baixa, com decréscimo de 21,21%.

Os especialistas ligam o fenômeno a episódios de forte erosão ocorridos logo após o término das obras. A lista inclui a abertura de canais erosivos, ressacas e alagamentos causados pela junção de chuvas pesadas com maré alta.

A previsão é que o desgaste continue no Morro do Careca caso nenhuma obra de drenagem ou contenção seja feita. Os técnicos sugerem novos aterros pontuais urgentes e lagoas de captação para segurar o avanço do mar e estabilizar a praia.

A Funpec declarou que atua somente como prestadora de serviços da prefeitura e evitou detalhar o relatório enviado ao município. O secretário Thiago Mesquita, da Semurb (Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo), não foi localizado para comentar o assunto.

Confira a nota:

Sobre o relatório produzido pela Funpec e que aborda o aterro hidráulico de Ponta Negra, temos a esclarecer os seguintes pontos:

O relatório citado não afirma que houve perda definitiva de 40% do aterro hidráulico. A análise realizada refere-se exclusivamente à faixa da praia e, ainda assim, em uma redução associada à dinâmica natural de transporte e redistribuição de sedimentos ao longo da orla, sem representar a saída desse material do sistema costeiro.

Conforme destacado no próprio relatório técnico, é prematuro determinar com precisão origem, transporte e destino dos sedimentos, o que demandará estudos técnicos complementares.

Ressaltamos, por fim, ser fundamental uma avaliação criteriosa sobre dados tecnicamente tão rigorosos, a fim de evitar conclusões precipitadas, inconsistentes ou entendimentos distorcidos sobre o andamento do projeto.

Diogenes dantas ao centro da imagem vestido de terno preto, ele sorri.

Diógenes Dantas

é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.

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