Justiça
07/07/2026
O STF (Supremo Tribunal Federal) colocou o Judiciário do Rio Grande do Norte na mira. O ministro Alexandre de Moraes deu prazo de 48 horas para a corte potiguar explicar os vencimentos de seus integrantes.
A medida exige esclarecimentos sobre repasses feitos a magistrados ativos, aposentados e pensionistas entre abril e julho deste ano. A determinação ocorre após revelações de rendimentos que romperam o teto constitucional.
O estopim foi uma reportagem do jornal Folha de S. Paulo. O texto revelou vencimentos acima dos parâmetros fixados pelo Supremo para frear os chamados “penduricalhos”.
Em maio, 85 juízes e 8 desembargadores do TJ (Tribunal de Justiça) ganharam acima do teto de R$ 46.366,19. Desse grupo, seis magistrados romperam a barreira dos R$ 100 mil líquidos em um único mês.
O topo da lista de vencimentos ficou com o juiz Pedro Rodrigues Caldas Neto, com R$ 110.780,25. A desembargadora Sandra Elali apareceu logo em seguida, faturando R$ 105.598,94.
O TJ informou que os valores extras correspondem a férias dos magistrados. A corte alega que essas verbas contam com amparo legal nas regras vigentes do teto.
“Os dados estão sendo consolidados e serão apresentados ao STF dentro do prazo estabelecido pela corte”, comunicou a assessoria do tribunal potiguar. Moraes avisou que a falta de resposta pode resultar no afastamento imediato de dirigentes.
A cobrança do STF atinge outras seis cortes estaduais pelo país com a mesma suspeita. Ao todo, a apuração identificou 616 magistrados com rendimentos acima do limite permitido no território nacional.
A queda de braço envolve o CNJ (Conselho Nacional de Justiça), que editou normas interpretadas por tribunais como brechas para inflar os contracheques. O Supremo, contudo, mantém a posição de que benefícios sem aval estão “absolutamente vedados”.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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