Política
06/07/2026
A primeira semana da senadora Teresa Leitão (PT) na liderança do governo deu fôlego novo às relações políticas. A parlamentar abriu conversas diretas com Davi Alcolumbre, presidente do Senado, após dois encontros estratégicos.
A petista assumiu o posto em meio a um forte estresse entre os Poderes. O clima azedou desde abril, quando o Planalto viu naufragar a indicação de Jorge Messias ao STF (Supremo Tribunal Federal).
Aliados de Luiz Inácio Lula da Silva enxergam a escolha de Teresa como um tiro certeiro. A expectativa é que ela cumpra a missão de reaproximar o chefe do Executivo do comando do Legislativo.
Buscando panos quentes, a líder negou qualquer tipo de "ruptura" institucional entre os lados. Porém, nos bastidores, o antigo canal tocado por Jaques Wagner já exibia sinais claros de fadiga.
Teresa herdou a cadeira de Wagner após o senador virar alvo de uma operação da PF (Polícia Federal). O convite partiu diretamente de Lula e a costura com Alcolumbre começou no dia seguinte.
No plenário, Alcolumbre fez questão de elogiar publicamente a capacidade de negociação da colega. O parlamentar ressaltou que ela terá uma tarefa crucial na intermediação política daqui para frente.
O teste de fogo envolveu o debate com centrais sindicais sobre o fim da jornada de trabalho 6x1. Embora prioritária para o governo, a pauta esbarra em resistências e segue travada por Alcolumbre.
Lula quer ver a redução da jornada aprovada a qualquer custo. Para Teresa, o projeto não está empacado, mas cumpre um natural "roteiro de debates" com o setor econômico.
A base governista planejava votar a matéria antes do recesso que começa em 18 de julho. Agora, os senadores admitem que o tema só vai andar mesmo a partir de agosto.
Em meio ao turbilhão, a bancada do PT também definiu sua nova liderança interna. O senador Camilo Santana assumirá a função e o anúncio oficial ocorre nesta terça-feira (7).
Para completar o pacote, Teresa precisará desarmar verdadeiras "pautas-bomba" de alto impacto fiscal no Orçamento. O maior temor é uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que gera despesa de R$ 28 bilhões.
Alcolumbre deu uma colher de chá ao Executivo e aceitou atrasar o trâmite dessa proposta financeira. Agora, caberá à nova líder segurar o texto ou desenhar um acordo viável.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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