Walter Alves prevê "guerra" política e expõe caos nas contas do Rio Grande do Norte

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Blog do Diógenes
Walter Alves, vice-governador do RN e pré-candidato a deputado estadual, em entrevista ao Contraponto, da rádio 96 FM.

Política

06/07/2026

O vice-governador do Rio Grande do Norte, Walter Alves, soltou o verbo nesta segunda-feira (6). Em entrevista ao programa Contraponto, da rádio 96 FM, o líder do MDB no estado pintou um cenário de terra arrasada nas finanças estaduais.

Segundo o político, o Estado virou o ano com um déficit alarmante de R$ 3 bilhões. Ele revelou que um estudo profundo acendeu o alerta vermelho antes de decidir seu futuro político.

"Eu não ia trocar a minha história, a história do meu pai, por uma foto de governador. Ia sair como um dos piores governadores", disparou Walter.

O pré-candidato a deputado estadual justificou assim sua recusa em assumir o comando do Executivo. A análise do gestor se baseia em dados do Tesouro Nacional sobre a LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal).

O Rio Grande do Norte lidera as despesas com pessoal, atingindo o índice de 56,75%. O limite máximo permitido pela legislação é de 49%.

Walter também detalhou o atraso no reajuste dos servidores públicos baseado no IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). O pagamento do percentual de 4,95% acabou fatiado em seis vezes pela gestão atual.

Além disso, ele mencionou que o Estado acumula uma dívida de R$ 377 milhões com o BB (Banco do Brasil) por repasses de empréstimos consignados.

Prefeitos também reclamam da falta de repasses do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e do IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores). Os atrasos afetam inclusive o FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação).

A denúncia sobre os municípios partiu da FEMURN (Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte). Ao ser questionado sobre o rótulo de traidor espalhado pelos governistas, o vice-governador deu uma resposta irônica.

"Traidor que ia pegar um rombo de 2025 para 2026, de R$ 3 bilhões, mais uns R$ 4 [bilhões]esse ano", rebateu. O emedebista relembrou a herança política de seu pai, Garibaldi Alves, como modelo de austeridade.

Para a disputa majoritária de 2026, Walter aposta todas as fichas em Allysson Bezerra (União Brasil). O ex-prefeito de Mossoró lidera as pesquisas internas da legenda.

A coligação com o Republicanos deve garantir 60% do tempo de televisão. "Acredito que ele vai conseguir romper" a polarização tradicional, previu o entrevistado.

Para o futuro governo, o vice sinaliza a urgência de medidas drásticas. "Vai ser necessário um choque de gestão violento mesmo", alertou.

Mesmo rompido localmente com o grupo governista, o MDB do Nordeste mantém o rumo nacional. O partido segue fechado com a reeleição do presidente Lula (PT).

"Em vários estados existe esse problema", minimizou Walter sobre o racha local. Ele garantiu que manteria a diplomacia caso encontrasse antigos aliados em eventos federais.

Na corrida pelas cadeiras da Assembleia Legislativa, o plano da sigla é ousado. A meta é conquistar até quatro vagas diretas ou por sobras na rodada.

A nominata conta com nomes competitivos no interior e apresenta o deputado Hermano Moraes para a vaga de vice-governador. Essa engenharia visa reestruturar a legenda para os próximos anos.

Walter definiu o atual momento como o início de uma "guerra política" de narrativas. A estratégia principal será rodar o estado e debater a real situação fiscal com o eleitorado.

Confira o vídeo:

Diogenes dantas ao centro da imagem vestido de terno preto, ele sorri.

Diógenes Dantas

é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.

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