Economia
22/07/2026
A canetada comercial de Donald Trump entrou em vigor na madrugada desta quarta-feira (22), às 1h01. A nova sobretaxa de 25% atinge cerca de 3 mil produtos brasileiros vendidos aos Estados Unidos.
Com o novo imposto, fruto de apuração do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos), o Brasil assume a vice-liderança global de alvos de tarifas americanas, atrás apenas da China. O baque atinge em cheio embarques de máquinas agrícolas, papel, vestuário e etanol.
Nem tudo entrou na guilhotina protecionista: mais de 2.100 mercadorias mantiveram a isenção no mercado norte-americano. Carne, café, petróleo, laranja, suco e componentes de aeronaves seguem livres da cobrança extra.
Para validar o arrocho, a Casa Branca alegou entraves em desmatamento, propriedade intelectual e serviços de pagamentos. Sobrou ironicamente até para o Pix, acusado de arranhar os lucros das operadoras de cartão americanas.
A gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu os argumentos com dados diretos. O Planalto comprovou a redução do desmatamento e ressaltou o crescimento das próprias credenciadoras dos EUA no mercado nacional.
O prejuízo previsto para o setor produtivo é volumoso. A Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil) calcula que mais de US$ 11 bilhões em exportações correm risco, enquanto a estimativa oficial do governo prevê um baque de US$ 5,8 bilhões.
Alertas de perda de mercado já surgem na CNI (Confederação Nacional da Indústria), Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados) e Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia). A pancada vem em momento sensível, após o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) registrar queda de 12,8% nas trocas bilaterais no primeiro semestre.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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