Economia
31/08/2026
A Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN) voltou a defender a instalação de data centers no Estado como alternativa para aproveitar a energia renovável produzida localmente. O presidente Roberto Serquiz resumiu a tese durante reunião do Conselho Regional do SENAI: “O Rio Grande do Norte produz 10 vezes mais energia do que consome, não está conseguindo escoar essa energia pela rede”.
Segundo a FIERN, os centros de processamento de dados poderiam consumir parte dessa energia no próprio Estado, reduzindo o impacto dos limites da transmissão. A entidade levou a discussão ao Conselho do SENAI um dia após participar de um evento do Bradesco BBI, em São Paulo, sobre o potencial potiguar para data centers verdes.
No mesmo dia, a diretoria da FIERN recebeu a diretora-presidente da Neoenergia Cosern, Fabíola Almeida, que apresentou um plano de investimentos de R$ 4,1 bilhões até 2030. A ampliação da infraestrutura de distribuição é apontada como uma das peças necessárias para viabilizar novos empreendimentos digitais.
O Rio Grande do Norte produz cerca de 30% da energia eólica do país, possui 12% da matriz elétrica em geração solar e tem potencial de 54,5 gigawatts (GW) em energia eólica offshore, segundo o Atlas Eólico e Solar do Estado.
Outro trunfo é a localização geográfica, que favorece a conexão com cabos submarinos internacionais de fibra óptica. O fator também contribuiu para a escolha do Parque Tecnológico Augusto Severo (PaX) para receber o supercomputador de inteligência artificial anunciado pelo governo federal.
Em São Paulo, Serquiz também citou medidas para criar segurança jurídica aos investidores. “Trabalhamos essa regulação para trazer a segurança jurídica em diversas áreas. Também temos a previsão de aprovação da resolução de data centers e de revisão da Lei do Licenciamento Ambiental”, disse.
Apesar do potencial energético e tecnológico, o Estado ainda enfrenta desafios relacionados ao escoamento da produção e à regulamentação. A FIERN aposta na aprovação de uma resolução específica para data centers como próximo passo para tentar transformar as vantagens do RN em novos investimentos.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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