Política
21/02/2026
O diálogo é fundamental no exercício da atividade política, em qualquer dos Poderes. No Legislativo, é a sua própria razão de existir — parler (falar), acrescido do sufixo ment (ação), no francês antigo.
Nesse “lugar de fala”, cabe todo tipo de debate que interessa à sociedade. Mesmo aqueles que geram conflitos, embates acalorados e divergências aparentemente insuperáveis.
A jornalista Thaisa Galvão me deixou pensando nisso quando comentou, na FM Universitária:
— Temos uma bancada federal que não senta para discutir o mesmo assunto, juntos. São intrigados uns com os outros. É ridículo. Eles são podres — disparou Thaisa, no programa Tamo Junto.
O comentário da colega pode parecer duro, mas aponta um problema real: a intolerância alimentada pela polarização política.
Invertendo a lógica da “Quadrilha”, de Carlos Drummond de Andrade, podemos recitar o poeminha da bancada potiguar:
Rogério que odiava Natália,
que odiava Girão,
que não amava Mineiro,
que odiava Sargento Gonçalves,
que não tolerava Zenaide,
que suportava Robinson,
que engolia Benes,
que aceitava João Maia,
que evitava Carla Dickson,
que permitia Styvenson —
que não amava ninguém.
Sou de um tempo em que, como repórter em Brasília, via a bancada federal se reunir, independentemente das bandeiras partidárias, para tratar de temas de grande interesse da sociedade potiguar: a liquidação do banco estadual (Bandern), a transposição do Rio São Francisco, o novo aeroporto, a privatização da Cosern, a duplicação de rodovias, os royalties do petróleo, entre outros.
Fui testemunha de muitos momentos de civilidade, em que o respeito prevalecia mesmo diante das diferenças políticas e da rivalidade que imperava nas campanhas eleitorais.
Como lembrou Thaisa, naquele tempo até “as oligarquias” sentavam à mesma mesa para discutir os problemas do Estado.
Havia divergências, disputas e interesses — mas havia, sobretudo, interlocução.
Hoje, não há nada parecido. Há apenas treta.
é um jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UNP, atuou em vários veículos importantes locais e nacionais (Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e rádios 96 FM, 98 FM e 91.9 FM). Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN. Foi coordenador de comunicação da Potigas, e assessor da presidência da Petrobras.
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